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Vale do Pati, a trilha da Chapada Diamantina (parte 1)

atualizado 23 novembro 2014 Deixar comentário
Uma trilha em parque nacional

por Luciana Teruel

Quando saímos rumo a Bahia tínhamos um sonho: fazer alguma trilha pela Chapada Diamantina. Mas foi só começar a pesquisar que a realidade logo nos impôs um grande obstáculo: preços! As agências estavam cobrando algo em torno de mil reais por quatro ou cinco dias de trekking… Mas sementeira que é sementeira faz uma baita força para germinar e contar com os “acasos” da vida. E foi num desses que caiu sobre nós a possibilidade de fazer a trilha do Vale do Pati com o pessoal do projeto Vale do Grafite, e com a Diana, guia, amiga e parceira do projeto. Foi inacreditável!

Localizado bem no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, entre os municípios e vilas de Andaraí, Mucugê, Guiné e Vale do Capão, por sua exuberante beleza, o Vale do Pati é um dos lugares mais visitados por quem gosta de fazer caminhadas em ambientes naturais. O seu acesso é feito apenas a pé ou montado em um animal, e são necessários no mínimo três dias para cruzar o extenso vale. Atualmente, vivem menos de 40 moradores fixos, mas o Vale do Pati viveu por décadas da agricultura do café, chegando a ter aproximadamente 2 mil moradores. Hoje, estes moradores vivem da hospedagem, transporte de carga e alimentação dos turistas que visitam o vale. O roteiro principal, que começa em Andaraí e termina no Vale do Capão, é feito em 5 dias. Como o pessoal do projeto só tinha quatro dias, optamos por um trajeto circular, a partir do Vale do Capão.

Vale do Capão: os preparativos

Quando descemos na praça do Vale eram 6 horas da manhã e a cidade estava quase deserta, mas o suficiente para olharmos pros lados e ficarmos fascinadas com aquele lugar. E o sonho só estava começando… O lugar é tão incrível que mereceu um post a parte (confira aqui), com informações de como chegar e onde se hospedar.

Mais tarde encontramos com o pessoal do Vale do Grafite, quando só então nos demos conta de que faríamos não só a melhor trilha da Chapada Diamantina, como uma das mais bonitas do mundo. Diana, nossa guia, nos aconselhou a não levar barraca, pois seria muito peso para carregar Chapada acima e abaixo, caminhando 8 horas por dia – sim, seriam nossas primeiras 8 horas diárias em terreno montanhoso. Ansiedade a mil! Nos informou também que teríamos casas de nativos para comer e dormir durante o trajeto, mas que levaríamos comida pra economizar. Cada um gastou no mercado R$ 35,00, e nossa guia sabia exatamente o que o grupo ia precisar tanto para fazer as refeições como para repor as energias durante a caminhada. Isso foi fundamental para vencer, bem, os 4 dias.

Na mochila, nada além de duas peças de roupa (uma delas para dormir), um chinelo, alguns remédios e itens de primeiros socorros, boné, capa de chuva, repelente, protetor solar, itens de higiene pessoal, as comidas rigorosamente divididas entre todos e a máquina fotográfica (que foi incapaz de registrar tudo o que vimos).

Pé na trilha! 1° dia: Vale do Capão até a Igrejinha

Como o primeiro dia do trekking já prometia 8 horas de caminhada, para chegar ao início da trilha pegamos uma 4 x 4 que custou R$ 10,00 por pessoa. Isso foi essencial, pois, da praça principal da vila até lá, seriam mais 2 horas de caminhada pela Vila do Bomba por uma estrada de terra…

(continua)