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Adoro quando dormes aqui

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por Daniel Baz dos Santos

entendo
coisas que tua pele canta
caos de pelos e sílabas
flores tropicais
abotoadas na língua branca

ponho a roupa do trabalho
sobre o pijama
carrego grãos da cama
lama e o orvalho na boca

no meio da tarde
um anjo de muletas
e moletom
vasculha nossos lençóis
consome nossas migalhas
está atrás de uma cicatriz
para cobrir a genitália

adoro quando dormes aqui
entendo coisas que tua pele canta
mas não diz

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Clímax

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por Daniel Baz dos Santos

Numa mesma etapa de chamas
nossa pele é um dia áspero.
Fora de teu corpo, um chão
que já não se cria nas vozes das frutas
também não aclara as carícias,
com as quais te ofendo.

É que nos esquecemos de voar
ocupados com outras verdades.

Instauramos a carne.
Polpa enfurecida
que aproveita o aço
e gorjeia o pão.

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Doutrina

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por Daniel Baz dos Santos

Controla teus sentidos
ou eles te esconderão o infinito …
Levarão de ti para sempre
o pouso secretos dos rios
a seiva que carregas na garganta
no porão de palavras cansadas
Teus olhos não deixarão que vejas
o espanto das árvores
que se esquivam como cortinas
mal aprenderam a nascer
Teus ouvidos não perceberão
o arsenal de intenções
nos rebanhos do silêncio
Controla teu paladar
ou ele esquecerá outro pássaro azul
na madrugada de tua saliva
diante de animais sem mistério
Tua boca acende este desfiladeiro
uma viagem que é só queda
Observa tua pele
em todas as refeições da pele
celebra calmamente o parto
a tecnologia da espera
no fundo de tuas mãos
Deixa o mundo brandir seus aromas
Hastear seu perfume em hipotenusas abusadas
saber ser distante nas conspirações da chuva
Controla teus sentidos
Atarefa essas cicatrizes
Antes que o mundo aconteça
______

Texto publicado originalmente em Invitro.

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Dos restos

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por Daniel Baz dos Santos

Desejo guardar tua pele
no interior incendiado do cisne.

Preservar teus olhos
desta pátria iluminada pelo medo.

Esconder teus seios
nas esquinas da insônia;
no subterrâneo de marfim
dos anjos.

Exilar teus cabelos
em outros impérios:
nos temperos, nos incensos, nos naufrágios.
Nos felinos!

Derramar tua carne nas bocas
que ofenderam o sonho.
Tuas nádegas vagando por serpentes
que as tochas projetam e educam.

Emancipar tua luz,
pousar em tua sombra
e viver dos restos.
______

Texto publicado originalmente em Invitro.