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Meu relógio

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por Luiz Augusto Rocha

Meu relógio não está no pulso,
ele bate em meu peito,
controla meu tempo.
Nada tenho a fazer.

Se é tempo de tempestade,
se é tempo de temperança,
se são tempos temperados,
não sei. Ele deve saber.

Não controlo meu tempo,
o relógio controla meu tempo.
Aliás, nem sei se ele é meu,
sei que ele está em mim.

Quando vejo as horas,
vejo que passaram os anos.
Quando teimo em ver as horas,
vejo que passou menos de um minuto.
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Texto publicado originalmente em Modesto cabotino.

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O sol e a brisa

atualizado 31 outubro 2014 Deixar comentário

por Luiz Augusto Rocha

Em determinado momento do dia,
a brisa passa debaixo do sol que torra.
Poderia ser o inverso:
o sol torra, mas, a brisa passa…

Não há porque desistir,
se, cá embaixo,
a brisa continua passando,
mesmo com o sol que torra.

Entre o sol e a brisa,
não existe uma ponte de concreto
que ligue um lado ao outro.
Nós estamos entre os dois…

O que mais arde no sol
é o suor todo dia suado;
é a pele queimada que,
já à noite, cozinha o sonho.

O que o sol tenta matar
é a umidade que transborda
dos nossos corpos todos os dias,
a contragosto de seu abrasamento…

É o suor ardido diante do sol
que se encontra com a brisa.
Sempre, às duas da tarde,
da planta do pé à ponta do cabelo.

E a sensação que o vento provoca,
dançando nas costas, na nuca;
enfrentando os olhos, segurando o peito.
Quase esquecemos do sol…

Entre os dois pontos desse lugar,
(no instante do encontro de brisa e sol)
o mundo deixa de girar um segundo.
E eu sei que estou vivo!

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Texto publicado originalmente em Modesto cabotino.

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Despojamento

atualizado 28 outubro 2014 Deixar comentário

por Aléxis Góis

despojo-me
não há mais relógios, anéis, colares, vestes, óculos, chapéus e adornos
que me sufocam

desato-me
daquela dor no peito
que uns dizem ser saudade
outros dizem ser inquietude
das expectativas e prospecções

largo-me só
e desnudo
sereno
sigo a existência no presente contínuo
instantâneo e eterno

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