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Cap. 64. Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca

atualizado 9 agosto 2015 Deixar comentário
De uma conversa de cotidiano uruguaio

por Re Nato, colaboração de Aléxis Góis

A conversa com Mochila renderia um bocado. Ao menos até o contorno da praça central de Mariscala ser feito. Quis saber: que história é esta que a vossa pessoa não se surpreendeu com a nossa passagem por aqui? Mochila me disse que esteve nas últimas semanas em Jaguarão. Oh, conhece a Cidade Histórica? Ficou sabendo como da viagem? Se não foi por uma nota de jornal, foi por alguém. “O Jornal Pampeano?” Ele acordou para a vida: “Ah, sí, o Pampeano”. Pensei comigo, não me recordo de ter anunciado nada no trissemanário. “Não me diga que você conhece o Anibal Ribas?” “Tchêêêê… se não!”. Depois desta ênfase, comecei a acreditar que ele conhecia mesmo Jaguarão.  Muito espertamente, Mochila fazia mais perguntas do que eu. Passou quase todo o tempo me perguntando coisas, pra que time eu torcia, se era verdade que não ia ter Copa do Mundo, como os apocalípticos da imprensa brasileira pregavam. As perguntas aumentaram quando ele quis saber detalhes de Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca. Interrompi a minha própria fala, tasquei uma com o máximo possível de educação: “Por acaso você é jornalista, afe. Quantas perguntas…”. Diante de meu súbito e, para ele, inesperado desabafo, o rapaz de chapéu de vaqueiro riu. Parou, disse: “Sí, yo soy”. Devolvi-lhe o riso mudo. Na certa, não consegui disfarçar a cara de incrédulo. “Periodista, digo, jornalista também?”. “Prefiro ‘periodista’. Me chame de periodista, acho mais autopromocional”. Juro, eu não podia acreditar no que estava acontecendo. Periodista, pô. Interiorizei o substantivo. Porra, e o Julito? Por um instante, havia me esquecido de el condutor. Um brusco olhar panorâmico, e nada. Numa banda da praça, a varredora de rua conversando com uma dona de casa na companhia de um cão. Do outro lado, um homem entrando num mercadinho. O casal de idosos que atravessara o epicentro municipal já se encontrava longe de nosso alcance. Mochila ficou na dele, e eu fui em direção a uma das inúmeras ruas que abriam caminhos ao redor. Avistei Julinho embaixo de uma árvore, abraçado com uma garota. O casal então tramava no bocal, quando eu assoviei e fiz sinal com uma das mãos, como se lhe indicasse num gesto: resolve isso aí, meu chapa, pega logo o telefone, o email, o Facebook, o Wattsap, o cep…

(continua)