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Preliminares

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por Aderaldo dos Santos

Quando eu entrar no seio abençoado do seu lar,
e assentar na sua desejável mesa,
quero antes da carne com carne, da concupiscência, do pulsar acelerado, dos gemidos, dos gozos, dos ais….
OS OLHOS
NOS OLHOS.
Pois quando dois corpos se interagem,
sempre carregam a influência um do outro,
sem se importar com a distância.
E  que a conversa entre nossos silêncios nos termine, nos inicie, termine, inicie, termine, inicie, termine…….

(Poemas noturnos. 27/11/2015.)

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Não foi só frio o que senti

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por Daniel Baz dos Santos

Não foi só frio o que eu senti
desses que expulsam as serpentes prenhas
e encorajam as aranhas insones.

Olhei dentro dos teus olhos
e vi um caldo que não se come,
e o corpo velho de um animal traído.

Esse vento sempre venta, essa alma sobre as roupas,
e tu não imaginas quantas vezes calei
do lado de dentro da palavra viva.

Olhei dentro dos teus olhos
e vi uma carne apressada,
menor do que a mosca morta,
que confundiu frutas e flores.

Não senti somente frio,
sobraram-me os calores pequenos
(daqueles que não se engolem)
depois que nos separamos.
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Texto publicado originalmente em Invitro.

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Doutrina

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por Daniel Baz dos Santos

Controla teus sentidos
ou eles te esconderão o infinito …
Levarão de ti para sempre
o pouso secretos dos rios
a seiva que carregas na garganta
no porão de palavras cansadas
Teus olhos não deixarão que vejas
o espanto das árvores
que se esquivam como cortinas
mal aprenderam a nascer
Teus ouvidos não perceberão
o arsenal de intenções
nos rebanhos do silêncio
Controla teu paladar
ou ele esquecerá outro pássaro azul
na madrugada de tua saliva
diante de animais sem mistério
Tua boca acende este desfiladeiro
uma viagem que é só queda
Observa tua pele
em todas as refeições da pele
celebra calmamente o parto
a tecnologia da espera
no fundo de tuas mãos
Deixa o mundo brandir seus aromas
Hastear seu perfume em hipotenusas abusadas
saber ser distante nas conspirações da chuva
Controla teus sentidos
Atarefa essas cicatrizes
Antes que o mundo aconteça
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Texto publicado originalmente em Invitro.

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Dos restos

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por Daniel Baz dos Santos

Desejo guardar tua pele
no interior incendiado do cisne.

Preservar teus olhos
desta pátria iluminada pelo medo.

Esconder teus seios
nas esquinas da insônia;
no subterrâneo de marfim
dos anjos.

Exilar teus cabelos
em outros impérios:
nos temperos, nos incensos, nos naufrágios.
Nos felinos!

Derramar tua carne nas bocas
que ofenderam o sonho.
Tuas nádegas vagando por serpentes
que as tochas projetam e educam.

Emancipar tua luz,
pousar em tua sombra
e viver dos restos.
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Texto publicado originalmente em Invitro.