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Contradições de um poeta

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por Aderaldo dos Santos

Prego e quero a liberdade,
mas deixo o meu teclado preso
em normas morais e técnicas da língua.
Finjo amar sem acreditar no amor.
Engano o leitor que quer ser enganado.
A minha humildade necessita de público,
pois a minha vaidade quer louros, aplausos e curtidas.
Por isso vendo uma realidade paralela cuja moeda é
ser o OUTRO.

(Poemas noturnos. 23/10/2015)

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Pulsação

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

O redator volta a pulsar em mim, avistei, notei a moça inominável distante da vida social, ela riu (abusada!), vi seus lábios, a transparência de seu vestido cinza, vi seus membros inferiores, suas coxas, vi seus membros superiores, ombros descobertos, vi o contorno preciso dos seios, a vista cansada, vi a volúpia dos quadris…

Notei-a distante como da outra vez senti seu cheiro de transcendência, o perfume no meio do caminho cada vez mais perto de uma autoria, caminho pela utopia do sublime, desejando o conforto de um contato possível, me aproximo face a face, sangue nas veias, fervendo de calor, fixo nos olhos, olhos castanhos e submissos. Diante de mim, e para minha surpresa, não era mais uma flor, uma rosa sem espinhos, era uma miragem, não era a moça inominável.

No chão, uma fenda se abriu, ao redor de uma base estreita, onde fiquei órfão de maldade, fixado nos próprios pés, temporariamente livre, rente a um abismo metafórico, boquiaberto, do outro lado, vi o abrigo de meu continente fantasia, comprimido numa ilha imaginária, como eu não desejava, senhor de mim, livre demais! Ah! maldita liberdade…

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Norte

atualizado 31 outubro 2014 Deixar comentário

por Luiz Augusto Rocha

Às quatro e quinze da tarde de hoje,
eu parei por um segundo.
Senti cada gota de suor,
cada batida do coração,
cada passarinho cantando eu ouvi.
Nesse instante eu pensei…
E disse, chega!

Hoje, eu me dei a minha alforria.
Com tudo a que tenho direito,
a liberdade de sonhar,
a possibilidade de agir.
Conscientemente, eu fiz a minha lei áurea.
derrubei a minha prisão,
soltei os meus bandidos inocentes.

Mas, estou ciente das consequências.
Eu sei que, agora,
estou na vala dos comuns.
Estou sem a perspectiva cruel
de uma vida entre as bitolas do trem…
E como isso é bom!

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Texto publicado originalmente em Modesto cabotino.