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O fim de uma monotonia? – cap 33

atualizado 17 maio 2018 Deixar comentário
O retrovisor de uma chamada “Máquina do tempo”

 

por Renato Renato; colaboração de Aléxis Góis

Aquela tentação de quem busca uma adrenalina, sacam? Quem já pulou o muro da escola na infância ou colou numa prova do ensino médio ou bebeu até cair na época da universidade sabe bem do que falo. A propósito, quero falar do espírito de aventura de Julio César Bregagnoli Martins, el condutor; trato ainda da quarta marcha manualmente engatada e de um pé firme no acelerador. Ansioso para que cheguemos logo em Vergara, Julinho? El condutor apenas riu, riu parecendo não ter me ouvido direito. Parecia que o parceiro de saga me olhava como se mirasse pro nada. Admitamos, mesmo que em tom de provocação não intencionada: el condutor olhou pro nada refletido no retrovisor do veículo e… riu. Deve ter rido do pedaço de mapa que restava entre minhas mãos ou da minha cara suada de tédio com o dito sucesso mecânico de nossa máquina do tempo; El fuca blanco, até este momento da história contada, emitia sinais de estrondosa perfeição mecânica. Parecia empolgado mesmo, el condutor? Pra variar, notamos Julinho empolgado. O projeto de escudeiro do século 21 parecia rir de qualquer coisa. Juro, caros leitores caronistas de plantão, até tentei decifrar aquele riso permanente de curinga do Batman no rosto enigmático do parceiro de viagem. Mecânica de El fuca, asfalto, sinalização e… riso quase perfeitos? Aliás, travar conversa dentro de um antigo fusca em movimento é pedir pra falar alto sempre. Quêêê…? O parceiro, de novo, fez que não me ouviu. O ruído do carro era demais. Quê cê falou…? Julinho tentou ser gentil. Eu, bem, eu desisti de me fazer entendido. Em parte, o barulho não deixou… Era a adrenalina da quarta marcha…? Como a precisar um ponto de vista, eu quase gritei com modos de amigo extravagante: “que asfalto bom da porra, hem!”. Asfalto bom da porra, reproduziu Julinho, num instante em que seríamos surpreendidos com um ruído estranho vindo de algum ponto específico da lataria avariada de nosso veículo.  Se a cara de Julinho estalou de surpresa nesta passagem, a minha ficou (ou deve ter ficado) roxa de interrogação: o fim de uma monotonia?

 (continua)