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O jogo

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por Aderaldo dos Santos

Ela não sabe o que eu tenho,
Mas sabe o que eu quero.
Entre ais e reis, a dama do outro lado não
é a minha oponente,
é a minha vitória.
Minha vez.
Olho nos olhos.
Levo a mão no destino E
puxo para minha vista um instante.
Minha confiança mente.
Ela sorri sarcasticamente.
Respondo com uma xícara de expresso.
Peço e pego mais uma carta.
Vem um ais espada.
Sem desistir, sua vez, digo eu.
Ela sorri, fita meus olhos – delicadamente – sem pressa
pega no destino a chave dos meus ais.
Um reis espada!
Serei eu o seu oponente ou a sua vitória?

(Poemas noturnos. 07/10/2015.)

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Jogo de imagens

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

De verdade, não deixaria de ver da maneira que vi pela fresta da janela da sala de casa uma imagem incomum que chamava a minha atenção, a chuva caia fina quase invisível no escuro da noite enquanto de minuto em minuto – por um tempo indeterminado – clarões de relâmpago iluminavam o chão da rua esburacada pela empresa de saneamento básico do setor público local. O que a vista cansada pelo sono conseguia ver era apenas trechos não fragmentados de uma parte diminuta de um recorte da amplitude de um horizonte que eu jamais vou lembrar e ver completamente o que agora pode parecer um absurdo visual. Pelo menos se eu pudesse decodificar tal jogo de imagens…