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Diz-se o comando

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Aqui não falo eu, quem fala ou quem comanda o enredo é o sujeito lírico, o autointitulado redator. Os leitores atentos sabem: a ideia de autor não predomina no século XXI (não me perguntem por que, pois é impossível saber de tudo e faço questão de não ter todas as respostas). A atuação do notável é apenas implícita, nada razoável a presença de vaticínios pessoais, a consciência subdeclarada não pode ser captada como é captada num sonho qualquer de pessoa a ver navios; quer-se uma composição singular e sem registro histórico, sem precedentes de propagação midiática jogo toda a afirmação sem sentido para os especialistas em acaso!

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Sem título

atualizado 31 outubro 2014 Deixar comentário

por Luiz Augusto Rocha

Enquanto dormem, cessa a morfina:
os anestésicos ainda são necessários;
a vigília continua no sono.
Não tem entranhas. Não têm sentido.
O quadro clínico não corresponde mais.
O desvario de manhã, chamando por Deus,
“Jesus, Jesus”, não significa mais.

A esperança é só nossa,
a ridícula esperança!

Ela morria:
sem a fome, sem estômago, intestino;
sem a sede, sem rim, nem fala;
sem olhos, que a vista olhava perdida,
cegos do silêncio e dos remédios.
Os aparelhos gritam à nossa angústia.

Enquanto isso acontecia,
aconteciam outras coisas no mundo…

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Texto publicado originalmente no blog Modesto cabotino.