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O amigo perfeito

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Estafado, afirmei a desistência de um pensamento sistemático. Ia tratar da escassez de novidades, da rotina moralizante e institucionalizada, da insistência ignóbil dos personagens sem papéis presos em nosso dia a dia, dos segredos que deixam de serem segredos às escondidas, (em voz baixa) cá entre nós, até parece que o mundo tem conserto! Certeza mesmo tinha meu companheiro de faculdade, o dito amigo perfeito. Aliás, disse-me o amigo perfeito, categórico, enigmático e intrometido:

– Só a morte, o grande mistério que ronda as prisões de nossas vidas, a sobra do nada é o pouco que nos faz sentido, as crianças sobreviventes praguejam o excesso do que fazer – escreva aí redator –, imortaliza a magia do verbo e trate de me dar o devido crédito, já que muito duvido que não tenha gostado da última oração provocante, sacada de mestre?!

O amigo perfeito então reforçou a nossa sensação de pensamento vivido:

– Foi muito bom, cê sabe, manjo com as palavras, analisa, vai! vai! vai! – acrescentou.

Ah, meu caro amigo perfeito, falando assim até parece que o sucesso do teu fracasso tem magia, até parece que você não existe!?

– Amigo, o gênero humano não se cansa; definitivamente, ele vive a procriar e propagar suas vaidades, rancores, agonias!

Reflexivo, pensei na réplica de meu amigo perfeito; presunçoso, ele não deve ter ido muito longe; na ocasião, deduzi o aspecto mais visível, o mais comum de todos nós: a esquisitice do comportamento.

A propósito, o nobre amigo voltaria com um grand finale:

– O eu lírico do redator que o diga, né não?!

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Diz-se o comando

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Aqui não falo eu, quem fala ou quem comanda o enredo é o sujeito lírico, o autointitulado redator. Os leitores atentos sabem: a ideia de autor não predomina no século XXI (não me perguntem por que, pois é impossível saber de tudo e faço questão de não ter todas as respostas). A atuação do notável é apenas implícita, nada razoável a presença de vaticínios pessoais, a consciência subdeclarada não pode ser captada como é captada num sonho qualquer de pessoa a ver navios; quer-se uma composição singular e sem registro histórico, sem precedentes de propagação midiática jogo toda a afirmação sem sentido para os especialistas em acaso!

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Crença de um professor universitário

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Súbito, lembrei-me da crença de um professor universitário: a linguagem fala pelas pessoas, e não o sentido contrário da afirmativa.

A ideia de redator germinava em mim como uma matéria de arquivo, um produto! Desde o princípio tratei-a feito um filho, um sujeito! Há muito tempo… Há muito tempo tive o desejo de gritar – admito –, diante de uma superfície terrestre: um personagem brotou de mim! Um personagem brotou de mim! Logo, um receio: abortei a vontade, o desejo de declarar em público a autoconsciência de minha suposta insanidade. Analisei a reação artística do primeiro ou da primeira que escutasse de mim a fragilidade de um contentamento: um personagem suscitou de minhas entranhas de animal supostamente ilustrado!

No início, o verbo; hoje, já não sei mais quem comanda os meus movimentos, se o eu lírico ou o não lírico, o redator.