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Erro

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

As novidades me moviam sem forçar o organismo, podia falar sem machucar, sem ferir os outros, tocar sentidos abstratos, errar como Paulo Leminski, que privilégio o meu errar sem aspas, feito Leminski! Eu erro, sustentava o poeta, porque só o erro tem vez. É uma ilusão deliciosa brincar com as palavras, pensei; concluí de imediato, eu que nunca fui um leitor obsessivo do Leminski, passei a ser, no fundo de minha neurose, do perigo de minha vaidade demente, um notável lemiskiniano.

Os erros me conduzem por linhas desconhecidas, por ambientes obscuros demais para alguém com pouco hábito de anunciar o que os outros desejam ouvir. Da necessidade natural de se fazer ouvir, admito um dos motivos radicais da existência deste redator. Inventei-o, portanto, com a então necessidade de remediar o meu estado crônico de solidão, de melancolia e de ceticismo.

Tão sem graça, tão amena a vida, arrisquei, mais com irritação do que com espírito arrogante, pois o erro – por falar mais uma vez no dito cujo –, o erro maior, observando-o como tal, de minha parte, o erro seria não extrapolar os limites do desconhecimento de uma dada prática, o erro seria ignorar uma satisfação imediata e objetiva, após descobrir ou constatar que o erro, o erro, o malfadado erro não existe!