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Tempo de eleições e de chuvas

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por Luiz Augusto Rocha

O ano começou, a copa chegou e passou, as eleições vieram e foram intensas, muito intensas. Aqui na Rondônia, aqui no São Chico, vivi o meu quinhão em cada um desses processos.

Para falar das eleições, eu preciso dizer antes que vejo gente todos os dias procurando onde é o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais (STTR) daqui, muita gente analfabeta, muita gente com muito pouca instrução escolar. Todas essas pessoas com marcas visíveis na pele, uma pele rasgada, queimada, suada, durante muito tempo alijadas do mundo além de suas terras.

São Francisco nasceu do corte da mata, da derrubada para plantio e cria de reses, além das parasitárias madeireiras que sugaram o quanto conseguiram sugar. O município nasceu do trabalho das pessoas que chegavam aqui e compravam a terra de boca e em troca de uma espingarda, uma bicicleta ou algumas notas de Cruzeiro.

Uma gente que não estava muito preocupada com as eleições de 2010 e que foi tomada pelo clima político este ano, independentemente de preferências partidárias. Uma gente que lembra dos que caíram de malária, de febre amarela, de acidentes e de balas marcadas.

Talvez por isso uma gente que não é muito afeita à conversa fiada e desconfia de qualquer “político” que lhe venha prometer mundos e fundos. Não sei como votou cada pessoa, quais candidaturas mereceram seu voto, só sei que votaram e voltaram para a lida, para o cultivar de suas roças que estão à espera das águas e para seus animais que crescem e parem, com a serenidade de quem há muito trata da terra e conhece a natureza e seus ciclos.

A vida segue em São Francisco do Guaporé, hoje mais calma, sem os sobressaltos dos sem tempo, que aqui é mais valioso porque é respeitado, é conhecido e não é enfrentado. Aqui não se perde tempo com bobagens porque aqui a gente pode conversar sem medo do tempo acabar. Um novo ciclo se inicia com as chuvas que chegam.