voltar

Fim

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Poucos podem acreditar, por isso não abro mão deste simulacro. Mas trago à tona que um guarda-chuva me transportou de uma dimensão aparentemente incontornável, definitivamente ao encontro da figura deste redator. Houve, sim, uma breve dúvida de estilo; já na volta da explosão do pensamento, eu jamais imaginaria rever meu amigo perfeito, vulgo senhor piegas, andando de mãos dadas com a sua companheira ideal, a garota notável, durante uma tarde de sol, no pátio da Universidade E***, onde nos encontramos. Meu amigo não se conteve: primeiro zoou com a minha cara de papel impresso; depois, fez apologia do próprio romantismo. Rimos com camaradagem, fiquei meio tonto de inveja ante a felicidade incontida do casal de amigos, pensei, pensei naquele momento de vaidade irrestrita, onde poderia estar a minha destacada razão de ser? Do meu lado não estava alma viva! Quando indaguei por mim, olhei de lado, havia sentido um movimento peculiar, voltei os olhos à frente, para minha surpresa ou para o regozijo de meus fantasmas, o amigo perfeito não estava mais sorridente, nem calado, muito menos visível. Simulei um esquecimento repentino, olhei mais de uma vez ao próprio redor, me certifiquei gesticulando sozinho com os braços, não estava sendo notado por ninguém. Soltei a respiração, inspirei e aspirei um pouco de ar, desisti de um dado pudor público, recuperei os sentidos, minutos depois, já me sentia uma pessoa normal (como é confortante ser normal!), certamente com o rosto munido de uma expressão de alívio, ainda bem, ufa, foi um delírio.