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Sempre os comunistas…

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por Nadson Vinícius dos Santos

 

A mão do mundo me disse não,

mas aprendi a rosnar feito raivoso cão

e a afastar a terrível mão do não. (Wesley Correa)

 

Ando tranquilamente pelas ruas de Lisboa e eis! Um cartaz comunista. Frases de comando: não pagamos, fora o euro, venha o escudo, por uma política patriótica e democrática etc, etc e tal. Tiro uma foto e me ponho a pensar sobre o cartaz (como se não tivesse mais nada para fazer) e como se não bastasse, pergunto às pessoas, que me permitem dois dedos de prosa, sobre o escudo (a moeda portuguesa antes do euro), a crise e coisas do gênero. Essas conversas me permitiram ter uma visão e uma versão da coisa, é o que pretendo contar-lhes:

A insatisfação pregada no poste

A primeira indignação do cartaz refere-se à troca de moeda. Foi-se o escudo português e veio o euro. A medida visava a acabar com a flutuação cambial entre as moedas europeias e uniformizar também o negócio, para quê tanta moeda diferente!? Mas segundo um vendedor de eletrônicos, a coisa não se deu de forma romântica. Segundo ele, tudo subiu. O que se comprava com um escudo passou a ser comprado por dois euros. Ele não gostou muito da atitude, mas… o que pôde fazer? Engrossar o coro dos que pedem a volta do escudo e o fim do euro e a luta continua…

O “não pagamos” do cartaz refere-se ao pensamento de calotear a união europeia (não sei se isso tem tomado corpo) e não pagar a dívida que já passa dos 130% do PIB. Essa é a parte mais dolorosa de ver. Agora mesmo estourou o caso do Banco do Espírito Santo, que de santo não tem nada e o governo jogou os 5 bilhões de euros, a dívida do banco, nas costas da população (é o que eu soube). Com todo aquele discurso da austeridade: precisamos cortar gastos, medidas impopulares, remédio amargo etc, etc e tal.

A reivindicação “governo democrático e patriótico” é engraçada, pois estamos na casa da democracia burguesa, como não ser democrático? Mas deixa isso pra uma outra conversa, cheguemos ao patriótico. Esta parte é interessante para provar que direita é direita em qualquer lugar do mundo. A falta de patriotismo se refere ao fato do atual governo, em nome da crise, além de não investir em setores básicos como educação, saúde, geração de emprego e segurança social ainda querer vender todos os bens públicos do país: bancos, empresa aérea, setor energético e por aí vai.

Pela insatisfação das pessoas que converso duvido que a direita se eleja, mas o novo governo (duvido que seja comunista) terá um trabalho e tanto! Enquanto os dias vão passando, vejo uma greve de professores aqui, uma de funcionários do metrô ali, outra reclamação de aposentados acolá e vou observando os muitos cartazes do partido comunista e o desabafo de alguém que teve o salário reduzido ou será obrigado a pagar imposto do pouco que já ganha. Alguém pra reclamar disso tudo? Sempre os comunistas…