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Carta a Maciel Filho

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Caro Maciel,

lembranças suas; saudades da época do blog “Alô Alô repórter!”

Ria sempre da ironia de suas crônicas a respeito do selecionado da Citi, na ordinária Copa Interestadual de Futebol! Não consigo esquecer a expressão “O centro avante que não faz gol”, o lendário camisa nove Vadinha! O cara era mais torcida que jogador, carismático pacas! Nada de gol,  o menino, mas era titularíssimo da equipe.

O que falar da eterna feição de deboche do Todinho rente ao alambrado do Estádio Municipal?!

E daquele dia que o Gordo invadiu o gramado pra bater no juiz? Finado Gordo… um dos torcedores mais fanáticos que a Citi já teve! Ele ia ao delírio quando você, Maciel, tirava uma foto dele com a sua kodak 3.2 pixels pra postar naquele famoso blog sem audiência.

Ah, velho…

(…)

Velho, estou estranhando a calmaria deste tempo nosso, amigo. Paz é subdesenvolvimento, paz é subdesenvolvimento! Lembro-me de quando você, meu amigo, subia num caixote de feira imaginário na Universidade E*** e proferia para meia dúzias de seguidores este mantra perfeito dos inquietos.

De fato, qualquer conforto é uma bosta; a acomodação, sabe como é, não leva a lugar algum. Daqui a pouco, a morte vem e o que pudemos fazer de decente enquanto consciência humana? Hein? Caralho!

Penso no seu caso, Maciel, você, você que morreu jovem, tão jovem, vinte e poucos anos de absurda razão de si. Filho que morre antes de pai e mãe compromete o sentido da vida ao plural.

Aquele Monza verde escuro que lhe amassou o crânio na passagem pela via de pedestres no centro da Citi ainda não foi localizado? Faz quanto tempo mesmo aquele acidente, chamado pelo jornaleco local de “fatalidade do cotidiano”?

Não entendo, meu amigo, não entendo mesmo, porque é que você não me responde mais?

M.R.

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‘No Brasil, a esquina à esquerda’

atualizado 11 novembro 2014 Deixar comentário

por Luiz Augusto Rocha

Desde 2009, eu moro em Rondônia e, dentro do estado, no município de São Francisco do Guaporé, fronteira com a Bolívia. Sou paulista interiorano e de interior em interior fui pulando desde que nasci. De Andradina (SP) para Dourados (MS), de Dourados para Andradina, de Andradina para Bauru (SP), de Bauru para São Francisco do Guaporé, de São Francisco para Ji-Paraná (RO) e há um ano e meio de volta à beira do rio fronteiriço.

Um clichê no rol de clichês da vida: foi um choque sair de Bauru com seus encantos universitários para cair na crua realidade de trabalhador no interior da Amazônia, nesta esquina do Brasil, a esquina canhota do país.

Cinco anos se passaram e tenho reforçada a ideia de que meu caminho é A Esquerda, a esquerda do país, a esquerda de Rondônia, oferecendo visibilidade para as gentes que cá se estabeleceram e fazendo-as ouvidas: suas histórias, trajetórias, memórias.

Quando eu me deparei com tantos assassinatos, com tanta pobreza, com tantas crianças fugindo de casa para casar com outras crianças, com tanta violência e brutalidade, com tanta politicagem e com tanta religiosidade forçada, quase pensei que não deveria estar aqui.

Mas, se meu caminho é à esquerda e estou dentro de uma realidade que grita por quem lute diuturnamente contra tudo o que vi e enumerei no parágrafo acima, meu lugar só pode ser aqui.

Enfim, depois de toda essa conversa, só quero dizer que, a convite de Jose Mochila, pretendo relatar algumas impressões de experiências vividas neste canto do país, nesta esquina localizada no lado esquerdo do mapa do Brasil, neste espaço que escolhi chamar de “No Brasil, a esquina à esquerda”.

Abraços, Luiz Augusto Rocha