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Cap. 66. Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca

atualizado 9 agosto 2015 Deixar comentário
El condutor, de perfil consagrado na Ruta 8

por Re Nato, colaboração de Aléxis Góis

Neste ponto da história contada, tenho que confessar: meu parceiro de viagem não gosta nada de aparecer em público. Numa fotografia então…? El condutor, Don Julito, a pessoa que só diz sim. Alguns de seus codinomes; lembram-se? Quem nos acompanha sabe das múltiplas facetas do guia de El fuca blanco. Eu pensando em Mariscala, lembrando da aparição de Jose Mochila, el periodista, e Julinho querendo mais um flash dos olhos com o fundo de um azul forte estampado no horizonte do carro.  Um clic? Outro? Mais? Se eu me recordo bem, estávamos de volta à Ruta 8, na expectativa de chuva. A caminho de… Julinho, qual mesmo o nome da próxima cidade? Tasquei uma piada já contada, o parceiro me pareceu atento. “Oh, Minas Gerais, quem não te conhece não esquece jamais! Oh Minas…”. Isso, a nossa próxima parada, a antes anunciada ciudad de Minas. 60 km quilômetros de Mariscala a Minas, que duraria o dobro de tempo percorrido. Motivo? Então peço para Julinho desacelerar. O que aconteceu…? Insisti com o pedido de um freio. Ele não me entendera no ato. Avistei na ocasião uma mão estendida logo à frente. Freada brusca. Percebemos num atravessar de nosso destino, o que interpretei como um típico trabalhador uruguaio. Carona, senhor? Sobe em nossa máquina do tepo um simplório, que vai no banco traseiro junto aos mantimentos soltos sem organização. Para onde, senhor? Foi um momento curioso. Até Julinho, que sabia um pouco de espanhol, se perdeu com as palavras. Foi difícil travar um diálogo com o homem de aparência idosa, que também parecia ter dificuldade para entender o nosso portunhol. Saiu cretina a nossa tradução: “Donde vas, senor?”. À vista, o uruguaio pareceu não entender. Com muito esforço, Julinho e eu descobrimos que o trabalhador uruguaio ia para Minas. Fazer o quê? Sólo dios sabe. Súbito, uma força bruta da natureza, até aqui, o momento mais dramático da viaje. Começou a chover forte, pingos grossos caiam insistentes. De fato, um temporal. Não tivemos dúvidas quando o vidro dianteiro de El fuca ficou totalmente tomado pela invisibilidade. Julinho desacelerou automaticamente, passamos a transitar como se tivéssemos num trator em estrada de terra. Marcha lenta, e um medo que tomou conta da gente. Depois de uma carreta passar rente ao nosso veículo quase o sugando pro outro lado da rodoviária não duplicada, orientei, pedi que el condutor parasse de vez o veículo no acostamento.

(continua)