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Da Universidade E***

atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

A Universidade E*** estava logo à nossa frente, aquele vespeiro de… (quase que eu deixei escapar uma crítica!). Usei o canto dos olhos, espiei em movimento, o perfil daquele andar feminino, por um instante, questionei-me mais uma vez: é a amiga da faculdade ou é a moça inominável?

Mais uma vez a mesma obsessão! Deixei de ruminar, arrisquei um convite para um café, após um sim, tive a certeza: desta vez era a amiga da faculdade, tava bem próxima, seu perfume me era muito familiar, bem que eu desconfiei da consciência me soprando algo lógico na cavidade dos ouvidos; bajulador de uma substância aromática, não resisti, exclamei em voz alta:

– Esse seu perfume, hem!

Ela fingiu que não me ouviu. Visualizei seu sorriso contraído. Fomos pra cantina. O episódio marcaria o primeiro dia em que me sentiria seguro, convicto, na posição de suposto literato; por acaso, e sem muita energia, atingi uma proeza que se repete a cada 100 ou 150 anos: formulei um suposto segredo dos segredos da produção universal de um importante gênero artístico. Saibam: tempos atrás, fiz uma leitura decisiva, quem sabe, na presença de uma testemunha inconfessável, sabe-se cá, na verdade não recordo direito, mas o que não tenho de memória, julgo ter de imaginação e de desvario (sobretudo desejo de desvario!); não sei precisamente de onde saiu esta ideia de falso jerico: os artistas da literatura são legítimos magos… Não! Não batem bem da cabeça, a san-tí-ssi-ma cachola!