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A famosa boca pequena tarumaense

atualizado 11 março 2018 Deixar comentário

por Renato Renato

“Ah”; mais um “Ah”. Alguém se aproxima e cochicha algo em meus ouvidos.

Minto. Ninguém cochicha nada, não, nada de “alguém se aproxima” também. Simples. Acabo ouvindo coisas, sem querer ouço coisas, nesse caso, nada demais ou fantasmagórico. Pelo contrário, o cotidiano ultimamente tem sido bem chato e realista. Por isso, seria correto então afirmar que as pessoas estão duvidando cada vez mais uma das outras…? Sabe como é: se quer saber das “novas”, tente com o epicentro urbano mais próximo. No dizer de um certo periodista conhecido, replico uma boca pequena.

Pelas bandas de Tarumã, minha cidade natal, a boca pequena circula à vontade? Acontece que Tarumã se espichou para uma banda de sua circunferência original. Deve ter sido isso. Em todo lugar esta reprodução deve fazer sentido. O centro que não é mais o centro de antes, não deve ser mais o centro das velhas quitandas; mas ainda me parece influente como imagem documental. Não à toa, a boca pequena local lhe dá existência.

O centro tarumaense há de ser o eterno centro onde a boca pequena promove a sua autoridade provinciana – alguém comentou na esfera central da boca pequena da vez.

O que não significa que a consagrada central de informações perdeu seu sentido real, o velho centro citadino deve continuar o mesmo, composto de duas ou três quadras com calçadas estreitas. Agora mesmo visualizo um ente da boca pequena tarumaense circulando bem vivo, vivo como a atenção dispensada sobre o querido e tradicional centro local, o glorioso ponto de encontro das bocas pequenas tarumaenses.

Tarumaenses, volver?! Todos de bocas pequenas, olhos grandes e ouvidos bem abertos – diz uma boquita citadina a afirmar coisas sem nexo mais do que qualquer locutor de rádio sem formação acadêmica e em início de carreira. Tarumaenses, volver?!

Abestalhados de plantão, experimentem ir ao centro de Tarumã e em estado sóbrio, para constatar a força simbólica de corneta emprestada de torcedor de futebol.

Em específico, vejo a Lotérica do Didio aberta como se fosse ontem; tal estabelecimento fica no centro. Noto uma fila quilométrica que todos fingem não gostar. A boca pequena citadina adora filas extensas.

Dirijo-me à uma boca pequena sem dentes na parte de cima. Fala boca pequena banguela!? Provoco mentalmente, desembesta aí boca pequena banguela!? Não demora muito e mais um “Ah” é pronunciado.

A boca pequena me disse que ouviu dizer que querem fechar o comércio local a partir das 23 horas (verdade, eis um registro de época). Vão soltar os cachorros – reforçou a mesma boca pequena. E não faz muito tempo que ouvi esta barbaridade – acrescentou a boca pequena numa tentativa de não se fazer como tal boquita. E a boca me disse mais: vão incentivar o uso da ronda a torto e a direito pra cima de quem se atrever a sair de casa em “horário impróprio” para espiar a cor da lua em céu aberto…! Esta ideia sombria só pode ser coisa de boca pequena profissional, eu pensei. Afinal, o que propaga a tal boca pequena? Pânico e repressão depois da meia noite?!

Ou melhor: é o seguinte: se o verdadeiro inventor deste “telefone sem fio histórico” não vier a público e defender a sua “tese” em alto e bom som, a boca pequena do caralho a quatro então vai se consagrar ainda mais.

E depois desta não vão dizer por aí que eu fiquei com a boca fechada, vão?!