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Vale do Pati, a trilha da Chapada Diamantina (parte 4)

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O horizonte do Morro do Castelo//Foto d’As sementeiras

por Luciana Teruel

Antes de voltar pra casa fomos abençoados com a chuva. Sim, abençoados porque a chuva ali é um momento único em que as pessoas pulam, vibram e tiram foto. É lindo ver todos tomados de alegria olhando pro céu e agradecendo a dádiva da chuva. Seguimos caminhando por 8 horas com subidas muito pesadas, mas fomos agraciados com cachoeiras fantásticas, como a tão falada Cachoeira do Funil. Nessa altura, a chuva já havia parado e nós não perdemos a chance de nos jogarmos em suas águas.

Depois do banho, seguimos para o Calixto e quando o vimos, de dentro, não nos arrependemos de nenhum passo dado a mais. Estar ali é como estar em Eywa, a terra de Avatar. Não há sequer um mito, lenda ou estória de conto de fadas que você não veja ali. Para mim, foi um contato de pura gratidão para com a Mãe Terra, o Pai Céu, o Avô Sol, a Avó Lua, as Quatro Direções, o Povo-em-Pé (árvores), o Povo de Pedra, os seres de asas, os seres de barbatanas, os quatro patas (animais), os rastejantes (insetos), a Grande Nação das Estrelas, os Irmãos e Irmãs do Céu, os povos subterrâneos, os seres do Trovão, os Quatro Espíritos Principais (Ar, Terra, Água e Fogo) e todos os seres de Duas Pernas da família humana…

Arrepiados, saímos do Calixto e, mais uma vez, caminhamos sobre os Gerais. Hora de digerir tudo o que os nossos sentidos presenciaram nessa imersão. Horas de caminhada depois, estávamos bem cansados e paramos na toca do Gaúcho para respirar e comer alguma coisa. Essa toca foi, por muitos anos, a morada de um desprendido gaúcho que vivia ali como no tempo dos homens das cavernas.

Quando só faltava a descida rumo ao Capão, resolvemos ver e nos jogar na Cachoeira da Purificação, então desviamos a esquerda e, depois de uma difícil descida por trilha pouco batida, chegamos! Nos purificamos nas últimas águas da Chapada e descemos, pois o Capão nos esperava. A trilha do Vale do Pati tinha chegado ao fim, mas nossos olhos e sentidos nunca mais serão os mesmos depois dessa profusão de paisagens, sensações e experiências. Então nos despedimos com gratidão ao Grande Mistério e aos amigos que compartilharam essa incrível caminhada (Alex, Luana, Diana, Maíra e Eder).

Contas da trilha:

Quanto saiu a trilha indo por conta.
Hospedagem: R$ 85,00
Transporte (desde Salvador): R$ 150,00
Refeições: R$ 125,00
Guia: R$ 100,00 (por pessoa)
Total: R$ 460,00 (por pessoa)

Dicas e informações importantes:

Sim, guia é fundamental. Pelo menos se você não é um expert em trilhas e estudou muito bem todo trajeto que vai percorrer.

Em geral, um guia cobra R$ 150,00 por dia para fazer o Pati, dependendo do número  de pessoas. Logo, vale a pena juntar uma turma e contratar diretamente um guia sem agência de turismo. Aqui, dois contados de guias de confiança: Diana e Dmitri.

No Vale do Capão e por todo Vale do Pati não há sinal de celular, portanto, deixe amigos ou familiares avisados antes de ir pra lá.

Os bancos ou caixas eletrônicos mais próximos ficam na cidade de Palmeiras, logo, leve a quantia que vai precisar em espécie.

O sol durante a trilha é muito forte e pode deixar queimaduras horríveis, por isso,  além do protetor solar, é fundamental levar bonés, chapéus ou lenços.

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Texto publicado originalmente em As sementeiras.

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Vale do Pati, a trilha da Chapada Diamantina (parte 1)

atualizado 23 novembro 2014 Deixar comentário
Uma trilha em parque nacional

por Luciana Teruel

Quando saímos rumo a Bahia tínhamos um sonho: fazer alguma trilha pela Chapada Diamantina. Mas foi só começar a pesquisar que a realidade logo nos impôs um grande obstáculo: preços! As agências estavam cobrando algo em torno de mil reais por quatro ou cinco dias de trekking… Mas sementeira que é sementeira faz uma baita força para germinar e contar com os “acasos” da vida. E foi num desses que caiu sobre nós a possibilidade de fazer a trilha do Vale do Pati com o pessoal do projeto Vale do Grafite, e com a Diana, guia, amiga e parceira do projeto. Foi inacreditável!

Localizado bem no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina, entre os municípios e vilas de Andaraí, Mucugê, Guiné e Vale do Capão, por sua exuberante beleza, o Vale do Pati é um dos lugares mais visitados por quem gosta de fazer caminhadas em ambientes naturais. O seu acesso é feito apenas a pé ou montado em um animal, e são necessários no mínimo três dias para cruzar o extenso vale. Atualmente, vivem menos de 40 moradores fixos, mas o Vale do Pati viveu por décadas da agricultura do café, chegando a ter aproximadamente 2 mil moradores. Hoje, estes moradores vivem da hospedagem, transporte de carga e alimentação dos turistas que visitam o vale. O roteiro principal, que começa em Andaraí e termina no Vale do Capão, é feito em 5 dias. Como o pessoal do projeto só tinha quatro dias, optamos por um trajeto circular, a partir do Vale do Capão.

Vale do Capão: os preparativos

Quando descemos na praça do Vale eram 6 horas da manhã e a cidade estava quase deserta, mas o suficiente para olharmos pros lados e ficarmos fascinadas com aquele lugar. E o sonho só estava começando… O lugar é tão incrível que mereceu um post a parte (confira aqui), com informações de como chegar e onde se hospedar.

Mais tarde encontramos com o pessoal do Vale do Grafite, quando só então nos demos conta de que faríamos não só a melhor trilha da Chapada Diamantina, como uma das mais bonitas do mundo. Diana, nossa guia, nos aconselhou a não levar barraca, pois seria muito peso para carregar Chapada acima e abaixo, caminhando 8 horas por dia – sim, seriam nossas primeiras 8 horas diárias em terreno montanhoso. Ansiedade a mil! Nos informou também que teríamos casas de nativos para comer e dormir durante o trajeto, mas que levaríamos comida pra economizar. Cada um gastou no mercado R$ 35,00, e nossa guia sabia exatamente o que o grupo ia precisar tanto para fazer as refeições como para repor as energias durante a caminhada. Isso foi fundamental para vencer, bem, os 4 dias.

Na mochila, nada além de duas peças de roupa (uma delas para dormir), um chinelo, alguns remédios e itens de primeiros socorros, boné, capa de chuva, repelente, protetor solar, itens de higiene pessoal, as comidas rigorosamente divididas entre todos e a máquina fotográfica (que foi incapaz de registrar tudo o que vimos).

Pé na trilha! 1° dia: Vale do Capão até a Igrejinha

Como o primeiro dia do trekking já prometia 8 horas de caminhada, para chegar ao início da trilha pegamos uma 4 x 4 que custou R$ 10,00 por pessoa. Isso foi essencial, pois, da praça principal da vila até lá, seriam mais 2 horas de caminhada pela Vila do Bomba por uma estrada de terra…

(continua)