Sobre o que escrevo e onde publico

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atualizado 31 março 2015 Deixar comentário
Autor de ‘O balcão das artes impuras’, Carmargo Junior escreve desde 2007

por Volmar Camargo Junior

Escrevo poesia desde 2007. Iniciei numa oficina de escrita, na internet mesmo, com um grupo que, posteriormente, veio a criar a Revista SAMIZDAT. O foco da oficina era, de fato, a escrita de contos. Numa das atividades paralelas, acabei participando de uma proposta para a escrita de poesia, e foi ali que me encontrei. Comecei a publicar a produção em um blog, Um resto de café frio. Minha relação com esse espaço, para onde fluía minha produção, era que, um dia, ele teria que acabar: não pensava no blog como o meu espaço na internet, mas como o lugar daqueles poemas, daquela época, daquelas experiências. Como um livro, enfim. Em 2010 encerrei o Café e iniciei, logo em seguida, o O balcão das artes impuras, do qual fiz uma seleção para ser publicado em formato impresso (O balcão das artes impuras. Rio de Janeiro: Multifoco, 2012) (Clique aqui para adquirir a obra). Na mesma dinâmica, seguiram-se o Verbo, entre 2011 e 2012; o Pragas urbanas renitentes, entre 2012 e 2014, que contém os  poemas  que considero mais maduros. Em 2013, dei início projeto do Dicionário giratório, com poemas mais experimentais, em que lido com a ideia do processo de escrita, o aspecto visual e orgânico do texto sobre o papel, boa parte deles escrita numa velha máquina de escrever. Nesse percurso, evitei a filiação a alguma estética, ou formato, ou tema. Nunca fui muito discursivo, pendendo um pouco para onde minha vontade, e as influências de cada época, me levavam. Sempre tentei homenagear os autores que amo, imitando-os descaradamente algumas vezes. Todavia, penso que foi em Pragas urbanas renitentes que encontrei o meu “idioma”. E, talvez por isso mesmo, tenha decidido dar um tempo na poesia.

Até o final de 2014, eu tinha muito conscientemente a ideia de que não conseguiria escrever prosa, simplesmente porque não gostava do que escrevia: achava-a artificial, inautêntica – diferente do que notava nos meus poemas. Todavia, no início de 2015, assumi como um “autodesafio” um plano antigo, que era escrever um blog só com narrativas. Assim, comecei a publicar o F417s-d1ver5.  Esses textos são postados diariamente em pequenas partes (um folhetim?), porque, de geral, são um pouco longos para a leitura na internet. Contudo, procuro publicá-los na íntegra em outras partes, como no blog do InVitro, coletivo de escritores de que faço parte, e também na SAMIZDAT.

Não saberia dizer se são “contos”, propriamente ditos. São textos em prosa, com mais ou menos um enredo, às vezes mais reflexivos que narrativos. Não saberia dizer se é “auto-ficção”, porque é ficção, e, ainda que boa parte das coisas que narro sejam desavergonhadamente inspiradas em fatos reais, tudo é atravessado pela fabulação e pelo pensamento sobre os acontecimentos, até tornar tudo estranho, inclassificável. Nesses contos, se é que são contos, da mesma forma que já vinha fazendo nos poemas, encontro nas coisas, nas pessoas, nos textos (não são tudo textos?) que me toca, e os reinvento. Acho que todo escritor faz isso, no fim.

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Saiba mais sobre o autor em Entrevista com Volmar Camargo Junior, um desterrado.

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