Ruta 26, passagem para Ruta 18 – cap 30

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atualizado 14 maio 2018 Deixar comentário
Um retrato de passagem da Ruta 26 à Ruta 18

 

por Renato Renato; colaboração de Aléxis Góis

Após breve passagem pela ciudad de Río Branco, trafegávamos pela Ruta 26, em direção à Ruta 18; Julinho seguia concentrado com o vibrante volante de El fuca blanco. Este narrador, numa confortável posição de copiloto, postado numa poltrona paralela a do parceiro de viagem, passeava com os olhos por cima do ombro de el condutor. Um cenário de mundo se abriu em grande escala no nosso visual. Ao nosso alcance, uma paisagem sem precedentes de vivência humana. Uma região de solo, em geral, fértil ou bastante utilizado para a agropecuária e atividades agrícolas começa a surgir pincelada de um conjunto de silos que suscitaram um retrato bucólico com uma moldura cinematográfica. Tratemos de um horizonte facilmente admirável, marcado por temperaturas amenas e chuvas com poucas variações ao longo do ano. Variações que iremos vivenciar com certo suspense, drama ou apreensão nos próximos quilômetros narrados. Julinho e eu contemplávamos uma parcela do que convencionalmente é chamado de Pampa, Pampas, Campos do Sul, Campos Sulinos e Campanha Gaúcha, termos referenciais ou descritivos de uma região pastoril de planícies com relevos (coxilhas), geografia típica do sul da América do Sul. Um bioma que, do início de nosso percurso em solo uruguaio, se estende à metade meridional do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, o Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Córdoba, Entre Ríos e Corrientes. Em outras palavras, nos colocamos diante de um bioma caracterizado por uma vegetação composta por gramíneas, plantas rasteiras e algumas árvores e arbustos encontrados próximos a cursos d’água, que não são abundantes. Um bioma tristemente ameaçado pela força predadora do homem e por sua inconsequente arrogância genérica, diríamos, em tom pretensamente ensaístico. Uma imagem evocada por dois autointitulados corações andarilhos no interior de uma máquina do tempo e de sua propalada mecânica duvidosa a aludir ou a testemunhar a qualquer momento e sem necessidade de precisão informativa espécies de plantas vasculares, com destaque para as gramíneas (capim-mimoso); centenas de espécies de aves (pica-paus, caturritas e anus-pretos etc.); uma centena de mamíferos terrestres (guaraxains, veados e tatus etc.) vinculados a um clima subtropical, traduzido de um olhar estrangeiro e confessadamente deslumbrante.

 (continua)

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