Pulsação

voltar
atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

O redator volta a pulsar em mim, avistei, notei a moça inominável distante da vida social, ela riu (abusada!), vi seus lábios, a transparência de seu vestido cinza, vi seus membros inferiores, suas coxas, vi seus membros superiores, ombros descobertos, vi o contorno preciso dos seios, a vista cansada, vi a volúpia dos quadris…

Notei-a distante como da outra vez senti seu cheiro de transcendência, o perfume no meio do caminho cada vez mais perto de uma autoria, caminho pela utopia do sublime, desejando o conforto de um contato possível, me aproximo face a face, sangue nas veias, fervendo de calor, fixo nos olhos, olhos castanhos e submissos. Diante de mim, e para minha surpresa, não era mais uma flor, uma rosa sem espinhos, era uma miragem, não era a moça inominável.

No chão, uma fenda se abriu, ao redor de uma base estreita, onde fiquei órfão de maldade, fixado nos próprios pés, temporariamente livre, rente a um abismo metafórico, boquiaberto, do outro lado, vi o abrigo de meu continente fantasia, comprimido numa ilha imaginária, como eu não desejava, senhor de mim, livre demais! Ah! maldita liberdade…

Leave a Reply