Poema para a realidade

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por Luiz Augusto Rocha

É que me falta um poema
que não seja muito vago,
nem faça tantos floreios.
Rimas, não vejo o porquê.

Eu quero saber do chão,
das chuvas, quando é que vêm.
Terra pronta para a safra,
é colheita que liberta.

Colhe o fruto do trabalho,
trabalha de sol a sol,
esquece o tempo que passa,
que liberdade é palavra!

Cheira essa terra em que pisas,
bebe essa água que a ti chega,
que só te basta o trabalho
para vislumbrar o livre.

Não te iludas com promessas,
sente, sente a ventania
que traz consigo a mudança,
é tempo de viração.

A chuva, essa sim, liberta,
livra de vidas mesquinhas,
presas num tempo parado
de trabalho e mais trabalho.

Vês o miúdo, o prosaico,
o sol, vento, a chuva, terra?
É tudo matéria-prima
para esse tempo amarrado.

O trabalho do poeta
que cultiva a liberdade,
além de vagos floreios,
é livrar-se das amarras.

Das prisões cotidianas
e pretensas liberdades:
ao contrário disso tudo,
quero meu grande poema!

______
Texto publicado originalmente em Modesto cabotino.

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