Peregrinando a Juazeiro do Norte

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atualizado 13 outubro 2014 Deixar comentário

por Ísis Gaia

21 de setembro de 2014, quatro horas da tarde, calculo a distância de Delfinópolis em Minas Gerais para Juazeiro do Norte no Ceará. 2223 km de viagem. Fecho a conta na lanhouse, pego minha mochila e vou em busca de dois casais mineiros que conheci uma trilha na Serra da Canastra com a esperança de que eles ainda não foram embora.

Chego na casa onde eles estão hospedados e os encontro colocando a mala no bagageiro do carro. – Lembra de mim da cachoeira? Preciso de carona para o Ceará, para onde vocês estão indo? Belo Horizonte, ouço aliviada a resposta, ao saber que os primeiros 400km estão garantidos, ainda que com a mochila no meu colo, apertada entre Cláudio e Samanta no banco de trás do Chevette surrado. Vejo com saudades, os últimos morros, estradas de terra e caminhos da Canastra antes de começar a dormitar cansada e balançar nas curvas.

Já de noite acordo, pouco depois da metade do caminho percorrido. Começo a conversar sobre hospedagem em Belo Horizonte: um lugar limpo, seguro e barato dentro de um orçamento dos R$ 37,25 que me restam no bolso. De pronto, Samanta oferece o sofá de sua casa, que divide com a irmã, Joana, e Roberto, seu cunhado, na Vila Cafezal, periferia na serra belohorizontina. Chegando no bairro, paramos o carro no asfalto para subir o morro. Cláudio se oferece para carregar a minha mochila com uma frase infeliz e um sorriso malicioso no canto dos lábios, você é muito fraquinha, moça. Eu nego. Afinal, sexo frágil o caralho.

Chegamos na casa, bem simples, humilde, um barraco com paredes chapiscadas de cimento, sem pintura. No interior, o cuidado feminino sobressai nos panos de prato pintados a mão, no lençol estampado que cobre o sofá que será minha cama. Tomo banho rápido e apago, ainda sem saber como será a segunda-feira.

(continua)

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