Peregrinando a Juazeiro do Norte – cap. 2

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atualizado 13 outubro 2014 Deixar comentário

por Ísis Gaia

Acordo com o corpo moído, não sei se da dormida na viagem ou no sofá, com ruídos de som alto ao longe. Funk? Não consigo identificar. A casa está quase vazia. Joana e Roberto já saíram para trabalhar. Ouço barulhos e percebo que é Samanta fritando salgados para vender mais tarde pelas ruas de Belo Horizonte. Ofereço ajuda, já que estou por ali e ficamos conversando sobre a vida até às nove horas, quando partimos para o centro da cidade. Eu, de mochila nas costas, e ela com uma grande caixa recheada dos mais diversos quitutes. A pé, de dia, começo a ter a dimensão da Vila Santana do Cafezal, ou simplesmente Cafezal. Quase 50 mil pessoas na maior comunidade de Belo Horizonte que, inclusive, serviu de inspiração para o filme Rádio Favela. A ladeira é grande. E íngreme. Mas esse é apenas o primeiro desafio da minha anfitriã de 19 anos. Vamos seguir a pé para a praça Sete, uma das principais da cidade, aproveitando para aliviar o peso dos salgados, seja comendo, seja começando a faturar o dia. Enquanto andamos, aproveito para perguntar como chego em um posto de gasolina na BR 381, para seguir viagem a Juazeiro. Ela não sabe. Quase nunca saiu de Belo Horizonte e, ainda assim, quando sai é com o cunhado em seu Chevette. Mas dá uma luz maior. Um primo de uma vizinha “que é até gatinho” é motorista de caminhão e viaja frequentemente para o Nordeste, vindo de São Paulo. Sempre pára no Cafezal para pedir a bênção da tia, descansar e seguir viagem tranquilamente. Se eu ficasse mais um dia, ela poderia tentar fazer contato à noite. Topo o convite, mas só queria ter deixado a mochila em casa. Ficamos perambulando pela cidade até duas horas da tarde. Aproveitei para dar um giro e respirar o ar da capital mineira. Depois, já com dinheiro em mãos, pegamos um ônibus para voltar para casa. Chego e simplesmente desabo, sem almoçar, sem tomar banho. Corpo cansado…

(continua)

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