Insônia

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por Alessandra Almeida

Pra tentar chamar o sono resolvo ler algumas inutilidades na Internet. De repente…  Surpresa! Esbarro na notícia de que pessoas torturaram até a morte um menino de 13 anos acusado de roubar uma bicicleta. O que faço? Não abro. Só a manchete e a imagem paralisada foram suficientes pra aterrorizar minha a mente e espantar por completo qualquer vestígio de sono. Meus olhos me traem e em destaque, leio sem querer, alguém defendendo o ato.

Resultado: descrença! Pra não dizer, revolta. Bom, acabei dizendo. Enfim…

Na cabeça ecoa desaforos a serem ditos ao indivíduo. Respiro. Tento pensar em outras coisas. Mas… Não cessa.

Solução? Tentar colocar pra fora de alguma forma.

O que faço? Escrevo:

Criatura! Sim. Você que tanto defende o “olho por olho”. Chega aqui… Façamos um acordo. Nasça em uma família sem estrutura financeira e psicológica.

Viva em uma sociedade que esfregue na sua face todos os dias, desde o momento de seu nascimento que você não é gente.

Cresça em uma sociedade que todos os dias te diminua por não ter condições de ter as coisas caras e de marca. Seja analfabeto. Porque aqui camarada… escola que não consegue alfabetizar é mato.

Chegue em casa e encontre somente sua mãe, muitas bocas e pouca comida.  Ou melhor… numa casa com vários irmãos, pouca comida, com uma mãe que trabalhe fora e com um pai que te espanque jogando em você todas as frustrações de uma vida.

Viva numa sociedade corrupta, com pessoas que vomitam moral e honestidade, mas que na primeira oportunidade dão seus jeitinhos pra tirar vantagem do outro e de situações.

Ande nas ruas. Não quero te alarmar, mas vou avisar porque sou legal… As pessoas não vão te perceber. Elas vão fingir que você não existe. Na mente delas você pertence a um universo paralelo. Bom… Isso até desconfiarem que  você de alguma forma invadiu o mundo mágico delas. Aí… Nossa! Bom…

Não se esqueça que nesse lugar os nativos querem ver pobres e negros na cadeia, mas que ricos filhinhos de papai, podem roubar e matar numa boa. É legalizado.

Depois de toda essa experiência, diga-me se concorda com tal atrocidade. Isso se chegar vivo até esse momento, porque durante essa caminhada, alguém pode te confundir com algum larápio e te matar sem que sua pessoa possa expor suas impressões sobre nosso experimento.

Aí, depois disso tudo,  quero ver você dizer que tem que ser assim mesmo… “Por que começa roubando bicicleta aqui e logo tá matando”. Quero ver continuar afirmando que “o mal deve ser cortado pela raiz”.

Por essas e outras que a cada dia que passa venho preferindo assistir séries com super heróis. Nelas ao menos alguém defende os indefesos, já na realidade dos pobres mortais…

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