Entre a realidade e a poesia – cap 36

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atualizado 18 maio 2018 Deixar comentário
Entre uma realidade retratada e um estado de poesia

por Renato Renato; colaboração de Aléxis Góis

De volta a Ruta 18, pensando alto numa iminente segunda parada. De Río Branco até Vergara, uma extensão aproximada de 70 quilômetros. Sem pressa alguma até lá. Até porque, a nossa máquina do tempo, El fuca blanco, não suportaria uma velocidade maior que 50km/h. Exatamente num pouco além do simbólico “meio do caminho”, entre uma realidade retratada e um estado equilibrado de poesia. Até Vergara, música que eu te quero música, uma terapia ou uma dose sequencial de hits de Raul Seixas. “Cowboy fora da lei”, “Eu também vou reclamar”, “Judas”, “S.O.S.”, “Metamorfose Ambulante”, “Maluco Beleza”, “Rock das Aranhas”, “Trem das sete”, “Por quem os sinos dobram” e a conhecida e replicada “Mamãe eu não queria”. Enquanto Julinho puxava as músicas lado “B”, eu me animava alternando as canções lado “A” supostamente mais tocadas, cantadas e louvadas pelos fãs. “Daqui a pouco, Vergara”, deixei escapar uma citação direta no meio de um refrão que o parceiro ecoava. Consultado o toco de mapa preso na base de um porta-luvas: faltava pouco para chegarmos… E como será Vergara? Quais serão as suas características principais…? A arquitetura de tal ciudad…? Haverá chicas hermosas? Haverá mais pessoas jovens do que idosas? Naturalmente, a imaginação tomou conta deste presunçoso narrador. De tanto ultimamente ouvir falar em Uruguai pelos meios de comunicação – os conservadores falando mal, os menos conservadores falando bem – criei comigo um Uruguai que só existia, de fato, na minha cabeça. Deixei Julinho então cantando sozinho e me concentrei no Uruguai. Vergara, em específico. Continuei a imaginar coisas. Quase incontrolável. Vergara, entre um real e um imaginário. Súbito, fui instado novamente a segurar a crônica quarta marcha, aquela que não permanece engatada. “Precisa de uma mãozinha?” Pois bem, el condutor estava com o braço direito dolorido, dirigindo apenas com o braço esquerdo. Ok. Mas para cantar Raul, meu parceiro é infatigável. El condutor só cessou de cantar quando notou que passara um trevo com uma placa indicativa. Não só parou de cantar, como tentou frear El fuca, que respondeu ao comando alguns segundos depois. Apesar da baixa velocidade, não conseguimos ler a placa. Chegamos?

(continua)

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