Do baú que não é do Raul

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atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

O Edy me chama.

Nosso time, já?!

A bola rola, rolaaaando.

Logo imito a buzina de um passarinho inventado:

– Quí-quí!

Não sei se o parceiro entendeu o código.

Pô…!

Já lhe roubaram a bola.

Carai! Cerca!

Perdeu a bola? Putz.

Volta pra marcar!

Ele sabe.

Ou ele finge que sabe.

Recupero o lance perdido, levo um pisaum no pé.

A voz sai dolorida.

Seu fila da…

Sem cena agora, peço a falta.

A torcida chia.

Porraaaa meu!

No nervosismo, percebo uma plateia de babacas.

Se for pra chegar junto, então vamu chegá junto, a-mi-go!

O lance segue bruto; auxilio na defesa.

Chega junto, Grilo!

Cerca!

Adoro esse mantra: cerca, cerca!

Bola minha, ameaço pra dentro, dou um corte monumental pra direita.

Cruzo do fundo da quadra, a bola quase sai.

Vai! A bola…

… que chega ao Edy, que senta o pé, pro-fun-do.

Goooooooooooooooooooooooool.

Uma explosão de alegria:

– Haaaaaaahahahaha…

Súbito, miro a claque de babacas.

Observo-a e não me seguro.

– Vão se #####

Dedo médio em riste pros cornetas de plantão.

Toma! Toma!

Uma imagem zombeteira de meus quinze anos.

Hoje, um sorriso de memória quase desaprendido.

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