De volta da quase casa de recuperação pra irrecuperáveis (parte 1)

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atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Re Nato

Lembram-se do Subsolo?

O Subsolo da Universidade de b…

Caramba! Como não se lembram?

O subsolo do Minhocão, o maior bloco de salas de aula da Universidade de b…

O Subsolo…

Ah, me perdoem, só agora reparo que fiquei ausente nos últimos dias.

Nos últimos dias… O que o dito jornalista sem solução andou fazendo nos últimos dias?

Então, garanto que não fui preso por tráfico de falta de influência.

Não, ( juro!) também não fui detido por criticar sistematicamente as cartilhas de movimentos estudantis e digitais.

Detido? Nem por falta de soluções e palavras de ordem cotidianas.

Nos últimos dias…

Nos últimos dias, vou confessar, admitamos, simmm, nos últimos dias mandei às favas a periodicidade de nossos diários, fui rever um filme francês na divisa criada entre o real e o imaginário; respectivamente, estados de São Paulo e do Paraná.

Ah, sim, no filme godardiano, datado na década de 1950/60, os personagens quase não se fala(va)m.

O que importa dizer além do sexo cine grafado: fui curar uma ressaca numa quase casa de recuperação pra irrecuperáveis. E, claro, voltei com o sangue limpo, asseguro-lhes!

Com o sangue limpo de indígena de 1500, a cabeça cheia de ideias e a língua ainda preta.

De novo no Subsolo, o nosso chamado monstro da obsessão.

Quando voltei ao nosso sempre reiterado Subsolo…

Os pensamentos logo se dissiparam quando notei o Subsolo completamente cheio de água.

Aquele famoso vão que dá existência a uma falsa linha de metrô de cidade grande e esgoto a céu aberto.

Muita gente do piso superior sequer então desconfiava daquela imagem de Veneza brasileira escondida debaixo dos próprios pés. Tratemos de um espaço social da universidade de b., em Brasília.

No piso inferior, a vida dava sentido a outras caras. Botes e remos que outrora enfeitavam as águas do Lago Paranoá, a poucos metros dali, agora inacreditavelmente trafegavam em águas sujas de enchente no ambiente mais libertário da Universidade de b.

Como já descrevi em outras passagens, o nosso Subsolo é imune a pressões institucionais.

Asseguro-lhes mais uma vez: acontece de quase tudo naquele espaço sacrossanto e pretensamente iconoclasta.

Episódios com personagens tresloucados são logo tomados como subliteratura fantástica.

De fato, o Subsolo não suscita consequências jurídicas.

Ninguém, mas ninguém mesmo é punido ou julgado pela mídia no Subsolo.

No nosso Subsolo, as imoralidades caminham juntas com os pensamentos de vanguardas.

E a chuva que raramente caia em Brasília, hem?

Os últimos três meses – pela falta de chuva e umidade – foram de totais entupimentos de narizes.

(Num dado capítulo anterior, o nosso retratado de Kurt Cobain bem alimentado experimentou este drama, e, em nome de seus semelhantes e asseclas, sacou de um dos bolsos um dedo indicador e limpou o próprio salão em público).

Na nossa ausência de vida, um pé d’água atingiu o piso subterrâneo dos irrecuperáveis de b.

(continua)

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