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O prato do dia?

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por Aderaldo dos Santos

Naquele espaço sombrio e misterioso ali no fronte,
um, dois, três, até cinco dias fico sem me alimentar.
Passo em frente, às vezes. Óleo.
Óleo mais uma vez na esperança de ver aquele manjar que me desejou – e eu a ele.
E não vejo o desejoso banquete que outrora degustei.
Hoje vou. Na rotina que me agrada, entro e me sento na mesma cadeira,
com as mãos ansiosas na mesa esperando o menu. Vem a sempre linda, simpática e sorridente imaginação e pergunta: O prato do dia?
Não. Hoje quero vinho tinto, razão, com uma porção de esperança refogada na antítese.
Grato!

(Poemas noturnos. 03/11/2015)

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Preliminares

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por Aderaldo dos Santos

Quando eu entrar no seio abençoado do seu lar,
e assentar na sua desejável mesa,
quero antes da carne com carne, da concupiscência, do pulsar acelerado, dos gemidos, dos gozos, dos ais….
OS OLHOS
NOS OLHOS.
Pois quando dois corpos se interagem,
sempre carregam a influência um do outro,
sem se importar com a distância.
E  que a conversa entre nossos silêncios nos termine, nos inicie, termine, inicie, termine, inicie, termine…….

(Poemas noturnos. 27/11/2015.)

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Trajetória

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por Aderaldo dos Santos

Não pense possível leitor que este poema sem rimas é um manuscrito de alta ajuda.
Não pense leitor deste segundo verso que este poema é um agouro existencial.
Se estiver no terceiro verso, tive êxito em meu propósito.
Se estamos no quarto: provoquei-o! – aceitou-o!
Trilhemos então a trajetória, POIS
cada palavra tem um gosto- pode ser amargo ou doce.
cada frase tem um destino- pode ser longe ou perto.
cada oração tem um deus- pode ser visível ou não.
cada período tem um tempo – pode ser curto ou duradouro.

(Poemas noturnos. 05/11/2015)

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O jogo

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por Aderaldo dos Santos

Ela não sabe o que eu tenho,
Mas sabe o que eu quero.
Entre ais e reis, a dama do outro lado não
é a minha oponente,
é a minha vitória.
Minha vez.
Olho nos olhos.
Levo a mão no destino E
puxo para minha vista um instante.
Minha confiança mente.
Ela sorri sarcasticamente.
Respondo com uma xícara de expresso.
Peço e pego mais uma carta.
Vem um ais espada.
Sem desistir, sua vez, digo eu.
Ela sorri, fita meus olhos – delicadamente – sem pressa
pega no destino a chave dos meus ais.
Um reis espada!
Serei eu o seu oponente ou a sua vitória?

(Poemas noturnos. 07/10/2015.)

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Contradições de um poeta

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por Aderaldo dos Santos

Prego e quero a liberdade,
mas deixo o meu teclado preso
em normas morais e técnicas da língua.
Finjo amar sem acreditar no amor.
Engano o leitor que quer ser enganado.
A minha humildade necessita de público,
pois a minha vaidade quer louros, aplausos e curtidas.
Por isso vendo uma realidade paralela cuja moeda é
ser o OUTRO.

(Poemas noturnos. 23/10/2015)

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Absorver a observação

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por Aderaldo dos Santos

‘Stamos em pleno mar.
O navio negreiro de Castro Alves passou.
A Lua e a maré são as mesmas.
Os meus ancestrais não.
‘Stamos em pleno mar.
A maré alta me
absorve
(e)
observa
(e)
me questiona:
– o seu jeito de ser
enquanto eu falo,
você me observa
enquanto me entrego,
você me absorve enquanto te observo,
e te absorvo enquanto tu falas.
‘Stamos em pleno mar.
e A lua não me traiu.
observa
(e)
absorve
a maré
e grita:
– o seu jeito de ser
enquanto eu falo,
você me observa
enquanto me entrego,
você me absorve enquanto te observo,
e te absorvo enquanto tu falas.

(Poemas noturnos. 13/09/2015)

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O meu porquê só existe por causa do seu porquê

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por Aderaldo dos Santos

Por que o seu porquê é importante para o meu porquê?

Por quê?

Porque sei que o meu porquê mesmo antes de ser um porquê já queria unir-se com o seu porquê.

Por que estamos separados se um porquê necessita do outro porquê?

Por quê?

Porque o tempo de um porquê não é igual a de outro porquê.

Por quê?

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Mão e Mãe nem Freud explica

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por Aderaldo dos Santos

Na fragilidade quero mãe.
Na solidão a mão.
Com medo seguro na mãe.
Com fogo aperto com a mão.
Na dor grito no colo da  mãe.
Na alegria: vai e vem da mão.
No amor divino de mãe.
No frenesi d’ mão.
Eis uma paz de mãe
e de uma mão.

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