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Um chão de fotocópias de Michel Foucault

atualizado 24 fevereiro 2016 Deixar comentário

por Mochilowski

Por incrível que possa parecer… a minha primeira sobrevida no dito espaço de recolhimento aconteceu no terceiro mês de sucessivas meditações. Uma experiência que me faria lembrar o real motivo que me fizera retornar a uma reclusão da sociedade. Eu viveria de novo este episódio de refluxo, após amargar o chão de um jardim cheio de fotocópias de textos de Michel Foucault. A pessoa que viria a me socorrer de uma súbita convulsão…?  Ela se assustou ao perceber um vácuo na região de meu peito. Isso, até eu havia me esquecido do tiro de silêncio eterno de que eu fui vítima no verão passado. Foi uma frase curta, a garota que eu amava se… num gesto simbólico de autossuficiência; fiquei sabendo por uma mensagem de texto depois de passar quatro semanas pescando cascote às margens da Lagoa dos Patos, em São José do Nortchê. Creiam: depois desta mensagem de fim de vida surgiu um túnel de cinco polegadas de diâmetro a atravessar o meu esqueleto de um lado pro outro.  A citada socorrista, sem saber deste histórico e quem sabe ela dona de outra absurda dor existencial, ficaria em estado de choque por me ver e não entender o milagre que me fazia ficar em pé antes da queda no quintal da casa de recuperação. Caí com uma camiseta pirata do Nacional do Uruguai… Minto. Eu estava sem a camiseta. Eu a retirei do corpo num ato de mística premeditação. Pressenti um antes vivido, um eu conheço este vento batendo no rosto. Desta vez, não teve bacia de alumínio cheia de pipoca nem tv ligada no desenho animado de uma manhã de segunda-feira. Recordo-me de um passo em falso repetido neste futuro de adolescência, minha língua rodopiando sem música de fundo na borda fria de minha boca roxa. (Quem já viu ou já vivenciou uma convulsão sabe ou pode medir a gravidade do desgosto.) Língua em espiral. Saliva escorrendo no queixo. Uma falta de ar cruel. Faltou-me vida naquele momento de flerte com uma sensação de morte. Enquanto uma multidão de internos foi-se juntando ao meu presente feito outrora biquiabertos alunos de ensino médio de uma escola pública, a interna que viera em meu socorro, a esta altura uma famosa por não me socorrer coisa nenhuma, insistia em repetir com a fala gritante de quem nunca levará jeito para integrar uma corporação de soldados bombeiros: Mas ele tem um buraco enorme no peito, gente…! E não sangra…! Buraco…! Peito…! Não sangra…! Geeente…! As últimas palavras da desengonçada chegaram-me telegráficas nos ouvidos – nos moldes do século XIX. Um clic.

Outro clic. Acordei horas depois com uma vontade insuportável de chorar, numa cama de uma sala de atendimento médico onde fiquei respirando como um franco objeto de observação.

A primeira e a última sobrevida, a gente nunca esquece.

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Uma valsa com Maria Eduarda

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por Mochilowski

Era pra eu simplesmente lhe falar: olha como você está sendo gentil, Maria Eduarda [nome fictício]. A interna amiga, que me acompanhava com o raciocínio enquanto eu aguava um canteiro de alfaces, poderia mesmo ter se passado por doce se eu não a tivesse provocado com uma pergunta acerca da importância de Deus para a vida de muitos.

Feito uma ex-evangélica pentecostal e hoje ululante poeta neoiluminista, ela tascou:

O céu é só uma promessa / Eu tenho pressa, vamos nesta direção.

Eu ponderei que nesta sugerida direção a gente não iria muito longe com uma parte considerável de nossa audiência. Ela olhou por cima de uma imaginária cerca de arame farpado e fez cara de muxoxo para os nossos fantasmas de plantão.

E se eu informar que, em seguida, ela gritou “Atrás de um sol que nos aqueça /Minha cabeça não aguenta mais”?

A minha interlocutora, a quem eu jogo toda a dor e plasticidade pelo céu ser só uma promessa…! A garota não se comportou como deveria na semana passada, foi censurada pela monitora das monitorias. Um informe circular foi imediatamente emitido para todas as espécies em tratamento: de que deveremos zelar por nossa fama de smithisianos.

– Não é mesmo, Maria Eduarda Morrissey?

A moça estava no meu encalço, literalmente. De repente, me vejo transportando-a com os pés abaixo dos seus, numa valsa a passos lentos. Enquanto dançávamos, a moça cochichava, aos meus ouvidos, que queria fugir de “uma vez por todas” do nosso morro devastado…

Maria Eduarda, internada depois de três tentativas de suicídio. Três semanas de internação já eram demais para ela. My dear, eu estou aqui há meses e… O meu testemunho não colou.

Ela estava impaciente; pra variar, eu sou doente por pessoas impacientes. Ela estava possessa; pra variar, eu sou doente por pessoas possessas. Ela estava para explodir; pra variar, eu sou doente pelas pessoas que dizem o que pensam sem medir qualquer tipo de consequência.

Eu pensei em lhe dizer que lá fora as pessoas estão numa pior. Eu pensei em lhe dizer que, naquele chão rasteiro da civilização, (apontando um dedo indicador) a hipocrisia escorre mais depressa pelas narinas. Eu pensei em dizer que lá, as pessoas posam mais fortes do que as de cá. Por exemplo: lá, as pessoas apontam o focinho pras drogas que não pagam impostos com a mesma virulência de quem critica a opção carnal de outros críticos. Eu pensei em dizer para Maria Eduarda que estávamos a salvo de uma ilusão e preso a outra, dentro de um conhecido cercadinho. Dentro desta casa, eu ainda pensei em dizer para a interna sobrevivente: aqui a gente pode ao menos parar para usar um binóculo e ver um pouco melhor aquela linha do tempo, onde podemos notar um alvo que deixa ligado e manuseia um celular cheio de bactérias com e a dois dedos da própria bandeja de comida na hora do almoço; esta pessoa que vemos a longo alcance e que se alimenta de um hábito selvagem não pode estar bem, ela precisa urgentemente se filiar à nossa casa de recuperação.

– Você não acha, Maria Eduarda?

– O quê? Quem? Onde?

Maria Eduarda me lembra um tipo burguês que só faz pensar o tempo todo em si.

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De um pátio com duas fontes de água sem água

atualizado 4 novembro 2015 Deixar comentário

por Mochilowski

A qualquer momento as pessoas podem partir.

Pensei nesta óbvia sentença observando os internos amigos. Verdade, as pessoas podem partir na hora que quiserem ou como bem entender. No nosso caso, e por algum motivo, a maioria permanece ligada à nossa casa de recuperação.

Do mesmo modo, ou pensando melhor, as pessoas podem partir a qualquer momento e de qualquer história. De qualquer lugar. De qualquer situação. A maioria, contudo, resiste.

Faltam aos resistentes, eu poderia apostar, um pouco de coragem para anular as dores de uma vez por todas? O problema, como dizem, parece ser mais embaixo do que mais em cima. E a esta altura, ou do alto de um morro devastado pela ação do homem, é melhor a gente baixar as nossas bolas.

Melhor dizendo, humildemente: falta-nos uma dada estrutura mental para chutarmos o balde. Por uma suposta falta de estrutura mental, notem vocês, eu vim parar nas alturas.

– Eu não aguento mais este treeeeem! – um interno amigo berrou sem nexo outro dia.

Dias depois, o amigo parecia não ter forças para contraditar o próprio desabafo.

Fiquei observando a criança, na ocasião; ela, aparentemente, com bom tempo de cercadinho. Cogitei em me aproximar dela, dizer que as dores acabam, de que a vida é uma espécie de. Preferi deixá-lo andar, desisti do falso adulto e me concentrei num pátio central.

No pátio central da casa de recuperação, saibam, há duas fontes de água sem água. Na primeira vez que as vi, eu as achei parte de uma engrenagem cabulosa. Bem, noutro dia voltei ao pátio. E permaneci ali, analisando-o. E se pensei bem, eu não percebi no espaço apenas um pátio. Além de um pátio com duas fontes de água sem água, o cenário traz, na parte de dentro, internos exibidos. Por tradição ou sabe-se lá por que, os internos costumam se encostar naquelas bordas. Contam estrelas ou tomam sol conversando uns com os outros ou ficam pensando solitariamente na vida abaixo de um céu cenográfico.

Por outra imagem, já não me recordo bem do momento exato em que congelei este sugerido retrato inverossímil de doidice desmedida. Só consigo precisar uma coisa: demorei a me render àquelas rodinhas sociais. Onde já se viu, eu pensei, sentar numa borda de fonte de água sem água como se o local fosse uma área vip para populares sem chateação alguma?

Tal registro de diário me fez pensar ainda num detalhe até aqui não aludido por quem vos alcança: a casa de recuperação para almas e corpos também comporta mulheres. Pois então…! Além dos marmanjos tradicionais, este reduto de internos não discrimina as senhoritas.

De volta ao pátio. De repente, encosto-me a uma das bordas de socialização. Vejam vocês, só foi eu mirar o chão da fonte seca para ser interpelado; uma persona surgiria inédita na minha frente, projetando em meus olhos uma sombra espírita:

– Ei, rapaz, como você se chama?

Olhei-a, percebendo um de seus braços em posição de cumprimento.

– Prazer moça, sou o interno Mochilowski – disse-lhe sem vacilar, retribuindo o aperto de mão.

Antes que eu pudesse lhe perguntar o nome, a moça se antecipou em tom de me causar estranhamento:

– Prazer, seu moço, pode me chamar de Cleo, a maluca.

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Uma panorâmica de pretensos recuperáveis

atualizado 30 outubro 2015 Deixar comentário

por Mochilowski

Comecei a ver em todos os internos a cara do Morrissey, ex-The Smiths. Se eu comecei a viver a realidade concreta de uma casa, todos os internos amigos possuem a cara do Morrisey e usam gel azul em excesso, camisetas pretas, calças pretas, tênis pretos, batons pretos. Pasmem, as figuram usam batom preto dos ultrarromânticos da famosa Avenida Paulista!

De fato, eu desenhei uma imagem que fazia jus a um momento de oscilação. Quem sabe, por estar entretido com o eco do hit Suedehead. Uma lembrança de dez anos atrás, quando testemunhei dois ditos smithsianos abrindo uma garrafa de cachaça para, em seguida, despejar todo o líquido num recipiente de liquidificador com suco de laranja em pó.

Por que você vem aqui, verso ordinário? Agora eu tento me fazer entendido a partir de uma espécie de Machu Picchu. Eu quis dizer, na casa de recuperação para almas e corpos havia um lugar celebrado como Machu Picchu. Isso, Machu. Isso, Picchu. Acalmem-se, eu não evoco vida diretamente do Peru. Aliás, não faz muito que eu disse que discursava de uma geografia brasileira?

A casa de recuperação ficava fatalmente num morro devastado. Tentem se colocar na posição deste precário aprendiz de Hans Castorp; de onde eu revivo há espaço para qualquer tipo de resgate. Como objeto de purificação, me vejo praticando sincericídio a mais ou menos 2 mil metros e 100 de altura, extasiado por uma paisagem que mescla Mata Atlântica e Cerrado.

Deste lugar, preciso lhes garantir que literalmente penso alto?

Creiam, as imagens que lembram a nossa Machu Picchu foram documentadas para uma possível comprovação jurídica. As fotografias estarão disponíveis, quem sabe, num tempo ainda não alcançado.

Eu dizia? Uma panorâmica de pretensos recuperáveis é bom demais além da conta...

Tchê…! Ainda posso me recordar sombrio naquele morro deformado pela ação do homem.

Olhem comigo, imaginem uma miniatura de cidade que oferece existência a uma cavidade absurda.

Deste cume: será que podemos suspeitar alguma sanidade daqueles citadinos lá debaixo?

Enquanto ainda me noto bem longe de qualquer recuperação, penso que sou, por extenso, Steven Patrick Morrissey com os cabelos encharcados de gel azul.

Por um ato, este interno sonha que pode errar ou ser pessoa sem ser sumariamente julgado.

Por um ato, estou com os pés acionados para um voo brusco, de cima de uma pedra de trocentos quilos outrora esculpida por vassalos que não me trazem compaixão por já estarem mortos.

Por um ato, sou puro ego, sem coração.

Por um ato, estou à mercê de uma escorregada de abismo.

Por um ato, eu penso ser mesmo um morrissey entre cópias de rasos mortais.

Suedehead nunca foi a minha preferida dos Smiths.

Sou mais Reel Around the Fountain.

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A herança de um estranho vazio

atualizado 30 outubro 2015 Deixar comentário

por Mochilowski

Os meus primeiros passos na casa de recuperação para almas e corpos, sendo franco, não foram meus os passos primeiros propriamente ditos. Me puseram em pé, fui posto na vertical, com os olhos abertos para uma luminosidade antes escondida de um quarto de repouso forçado. Havia ficado deitado e recluso por dias, até uma alta médica me libertar para o convívio social. No instante em que senti as pernas bambas, duas enfermeiras descravaram suas mãos de meus braços. Assim pude voltar a sentir a gravidade nos pés. Sem falar e tossindo uma feliz tosse de ar puro há muito não aspirado, notei as duas santas se afastarem. Elas não me disseram nada, sem instruções eu fiquei. Ali, paralisado, quieto, solto.

Acima, um teto alto de uma casa-grande tipo aqueles casarões dos barões e calhordas do período colonial. Por um instante, eu fiquei vidrado com a altura daquele forro de construção setecentista, aquele cenário que reluzia ao meu redor enquanto a minha visão ia sendo restaurada pelo brilho da pintura presente. De fato, eu estava mesmo numa área coletiva daquelas sedes onde um dia sinhozinhos e sinhazinhas correram para lá e para cá, em exercícios diários de enrijecer os músculos…

Lembrei-me das próprias pernas e de um atrofiar. Suspendi os pensamentos, porque não estava mesmo pensando coisa com coisa. Nem me notei vendo coisa com coisa ou enxergando direito. Então…? Surge então do outro extremo de uma área-corredor social, sob um piso vermelho de noivos, a figura de uma moça de cabelos lisos e ruivos. Ela parecia estar com as mãos na cintura, ela parecia ao mesmo tempo me encarar. Míope, eu só podia perceber nela um vulto. Ela estava distante, de vestido curto e branco.

Não demoraria muito aquela representação de encaramento recíproco, aquela mútua, conflitante ou amável troca de olhares: “amor, você por aqui!?”. Senti uma mão chocar-se, fora do script, contra um de meus ombros, seguido de um “ei, rapaz!?”.

Olhei de lado. Sem entender o alô de um cidadão fardado que eu até então nunca tinha visto mais inoportuno.

Voltei-me novamente para o retrato de vida anterior, que começou a ser atravessado pela entrada de internos que surgiram não sei de quais portas e de quantas aberturas laterais.

Tentei ficar na ponta dos pés para ver melhor a face daquela.

Impossível. A multidão já havia tomado a minha visão de mundo.

Foi em vão me esforçar para tentar ver o retrato único.

A multidão realmente engoliu a extensão de meu horizonte.

Aliás, os internos vinham em minha direção.

Fiquei parado na contracorrente de uma horda andante.

Eu saberia depois, o destino deste povo fora um restaurante.

Da passagem dos esfomeados, me sobraria o silêncio.

Do desaparecimento da ruiva, a herança de um estranho vazio.

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De como virei o interno Mochilowski

atualizado 17 outubro 2015 Deixar comentário

por Mochilowski

Ahora , en buen estado, como dicen aquí ou de uma das bandas do rio da Prata, o maior por do sol do mundo ou simplesmente o melhor retrato do universo – porque de onde recomeço a vida há de ser, por supuesto, uma paisagem de exaltação própria e de grandezas infinitas. Aquí yo – suspendendo este meu malcriado espanhol de Google tradutor – posso ver um horizonte de expectativas e dele ainda aludir coisas enfiando os braços num vácuo de moldura vivido há alguns meses quando eu, doente dos olhos e dos pés, previa um projeto de sobrevivência megalomaníaca, de que eu estaria justamente nesta mira de audiência, em frente a uma edificação de universidade centenária, sentado num banco de praça pública da cidade de La Plata – capital da Província de Buenos Aires, rascunhando num bloquinho de notas, pensando nesta intenção de futuro e num presente resultado para além da tentativa de fazer com que meus sete ou oito leitores possam (mais uma vez?) acreditar que falo mesmo de verdades biográficas quando eu na verdade não poderia comprovar desafio melhor ou quando na verdade, suscitando certa ironia, eu deveria mesmo estar contando histórias para lhes assegurar um documento para a chata da posteridade, uma terapia ou um discurso pouco dirigido às pessoas que julgam me conhecer de perto, de longe ou do avesso.

Para além desta miragem, eu bem me recordo chegando a uma casa de recuperação para almas e corpos localizada num cenário alteroso da geografia brasileira, com o espírito vertical em maca e com o esqueleto todo envolvido por faixas protetoras.

Dias depois deste parágrafo segundo, eu poderia dizer que fui resgatado com vida do querido povoado de São José do Nortchê, no extremo sul do país, e prontamente trazido para um novo circo. Mas seria uma contrariedade aos realistas de plantão evocar a brusca suspensão de uma outrora narrativa sulina sem admitir que eu vazei das margens da lagoa dos Patos como um Forrest Gump da vida. Mas tchê! Acreditem vocês ou não, eu saí quase louco de lá. Ferido da cabeça. Enigmático para a plateia, amputado do coração. Corri. Corri tanto de meus fantasmas – que por serem reais nem sempre são visíveis – até estacionar numa situação equivalente a que viveu George Orwell. Aliás, um filho de Deus que teria ajudado em meu socorro numa banda de uma entre tantas BR’s, ele mesmo, outro feliz andarilho infeliz, teria relatado de pés juntos às autoridades brasileiras competentes que eu fui visto subnutrido debaixo de uma lona rasgada, com acesso de refluxo gastroesofágico, mal vestido, olhos arregalados e, pasmem, com um exemplar de Na pior em Paris e Londres colado ao peito.

Para condensar os caracteres que me restam neste preâmbulo, saibam até que eu volte com o próximo episódio: assim que eu cheguei ou assim que me trouxeram à bendita casa de recuperação, fui prontamente encaminhado para um de seus alojamentos como o interno Mochilowski .

Após ser alimentado durante semanas com deliciosas sopas de rúcula e caprichosos caldinhos de beterraba – conforme a recomendação de uma equipe profissional –, pude então recobrar a consciência de que eu possuía um incrível, muito a propósito ou vigente plano de saúde bancado por um contrato com uma editora de livros que, entre outras obrigações e xaropices, me forçou a registrar esta história ou mais esta minha passagem de vida.