Carta a Maciel Filho

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atualizado 27 abril 2016 Deixar comentário

por Mario Rodrigues

Caro Maciel,

lembranças suas; saudades da época do blog “Alô Alô repórter!”

Ria sempre da ironia de suas crônicas a respeito do selecionado da Citi, na ordinária Copa Interestadual de Futebol! Não consigo esquecer a expressão “O centro avante que não faz gol”, o lendário camisa nove Vadinha! O cara era mais torcida que jogador, carismático pacas! Nada de gol,  o menino, mas era titularíssimo da equipe.

O que falar da eterna feição de deboche do Todinho rente ao alambrado do Estádio Municipal?!

E daquele dia que o Gordo invadiu o gramado pra bater no juiz? Finado Gordo… um dos torcedores mais fanáticos que a Citi já teve! Ele ia ao delírio quando você, Maciel, tirava uma foto dele com a sua kodak 3.2 pixels pra postar naquele famoso blog sem audiência.

Ah, velho…

(…)

Velho, estou estranhando a calmaria deste tempo nosso, amigo. Paz é subdesenvolvimento, paz é subdesenvolvimento! Lembro-me de quando você, meu amigo, subia num caixote de feira imaginário na Universidade E*** e proferia para meia dúzias de seguidores este mantra perfeito dos inquietos.

De fato, qualquer conforto é uma bosta; a acomodação, sabe como é, não leva a lugar algum. Daqui a pouco, a morte vem e o que pudemos fazer de decente enquanto consciência humana? Hein? Caralho!

Penso no seu caso, Maciel, você, você que morreu jovem, tão jovem, vinte e poucos anos de absurda razão de si. Filho que morre antes de pai e mãe compromete o sentido da vida ao plural.

Aquele Monza verde escuro que lhe amassou o crânio na passagem pela via de pedestres no centro da Citi ainda não foi localizado? Faz quanto tempo mesmo aquele acidente, chamado pelo jornaleco local de “fatalidade do cotidiano”?

Não entendo, meu amigo, não entendo mesmo, porque é que você não me responde mais?

M.R.

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