Cap. 67. Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca

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atualizado 9 agosto 2015 Deixar comentário
Da Ruta 8 a ciudad de Minas, no fundão uruguaio

por Re Nato, colaboração de Aléxis Góis

A tensão em meio a um temporal na Ruta 8 duraria alguns minutos, e o percurso de Mariscala até Minas, de duração mais ou menos de trinta minutos, somou o dobro de tempo. Não chegou a chover granizo, mas a visibilidade da estrada ficou precária. Ficamos presos em El fuca blanco numa tira de acostamento sem largura devida de estacionamento, com o veículo perigosamente a meio metro para dentro da pista, que não era dupla. Sem escolha, sem saída. Se colocássemos o carro literalmente para fora da pista, duas das quatro rodas ficariam no barro, numa posição tombada. Se arriscássemos tal manobra, poderíamos empacar. Ou pior, poderíamos deslizar num fosso de lama e sair dele só com a ajuda de um guincho ou quando Deus quisesse. Enquanto a chuva caia pesada na lataria de El fuca, Julinho, eu e o caronista trabalhador uruguaio prosseguimos na tentativa vã de comunicação. O uruguaio de aparente meia idade, quando não falava rápido, grunhia. Dios, como grunhia, como falava rápido. O ruído da comunicação foi tamanho que, mesmo oferecendo um prêmio a Julinho, não conseguimos sequer entender o nome da figura. Pensei em pedir para que ele nos soletrasse, quando voltamos novamente ao trânsito. Com a chuva mais fraca, Julinho acelerou. Chegamos a ciudad de Minas em instantes, onde a paisagem era de enxague. O temporal passara por ali, e parece ter varrido a região no curso da Ruta 8 sentido capital-interior. Tudo molhado. Mesmo um pouco mais amena, a chuva persistia na cidade. Neste ponto, a estratégia foi seguir o fluxo de automóveis para não nos perder no perímetro urbano. À procura de um posto de gasolina, o que não foi difícil encontrar. O momento de encher o tanque foi também o de nos despedir do uruguaio de palavreado difícil. Gracias, señores. Ao menos na nossa despedida, pudemos entender uma de suas palavras, hem. Gastamos sessenta pesos para completar o tanque. Uma quadra abaixo, após indicação do frentista do mesmo posto de combustíveis, paramos num restaurante chamado Rancho Paradouro. Neste, aproveitamos para nos enxugar. Parecíamos dois pintos molhados, no dizer aqui emprestado de minha avó materna.  Com o cardápio nas mãos e falando à vontade, nos descobriram como estrangeiros. Num primeiro instante, (quem diria?) por uma família de brasileiros de Jaguarão, que estava na mesa ao lado; num momento subsequente, um garçom, sorridente, apareceu para pegar os nossos pedidos. Até que as refeições chegassem, aproveitamos para estudar um mapa geográfico ofertado pelo restaurante. Se os leitores se recordam de um diário, o nosso sofrera um acidente de percurso.

(continua)

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