Cap. 65. Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca

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atualizado 9 agosto 2015 Deixar comentário
Uma parada para almoço em Mariscala

por Re Nato, colaboração de Aléxis Góis

Julinho e eu voltávamos rindo para direção do epicentro de Mariscala. E el condutor se gabando de um beijo numa uruguaia. Um, não: “Foram quarenta e oito!”. “Rapaizzz. Vou escrever que foram cinquenta, ok?”. Em seguida, eu disse a Julinho sobre Mochila, por extenso, Jose Mochila. Jose o quê? Periodista? O parceiro não entendeu. Eu acabei falando pouco, quando pensei em apresentar o dito cujo de corpo presente… Mas cadê o Mochila?! Uma, duas panorâmicas ao redor da praça central. O uruguaio sumiu? “Rapaizzz, você está bem?” Julinho tirou onda comigo. Mochila estava a cá há pouco. Não fez nem dez minutos. A figura evaporou no ar azul escuro de chuva que se formava, só pode. Lamentei. Precisava do testemunho de Julinho. O uruguaio com chapéu de vaqueiro que domina português. História sem nexo? A fome então bateu, nos dirigimos até El fuca blanco. Na volta, percebemos que nosso veículo estava intacto. Sim, a segurança é máxima em Mariscala. A paz reina naquela “grand pequeña ciudad”. Quando eu batia um dos pés num pneu traseiro de El fuca, numa checagem de ar, Julinho me disse algo do outro lado, que Mochila havia deixado um bilhete preso ao retrovisor. O bilhete, na realidade, era um cartão. Um cartão desses de profissional. “Jose Mochila, el periodista”. Abaixo do nome e da ocupação, dizeres de quem ganhava a vida como freelancer. Mochila pedindo um emprego? Será que eu tenho cara de patrão? Fiz o comentário com el condutor, que a esta altura, já contornava  a praça central com El fuca. Em silêncio, até pensei em arrumar um bico de revisor pro rapaz no Jornal Pampeano. Mochila me pareceu bem intencionado. Bem, já beirava o meio dia. Mochila voltaria à sua condição de pretensa miragem. A fome bateu. Paramos então num estabelecimento. Um típico estabelecimento caseiro. Isso, era uma casa mesmo. A sala era o local onde uma senhora com feição indígena e um senhor de expressão europeia nos recepcionaram. “Hay canelones?”. Aproveitei a escrita de um anúncio improvisado de calçada, para camuflar meu portunhol. Na real, eu sequer sabia o que era canelone. Aliás, nem Julinho sabia. Minutos depois, o parceiro e eu estávamos sentados numa mesa postada numa calçada de chão áspero, bebendo refrigerante e comendo canelone, quero dizer, panqueca. Canelone é panqueca, pan-que-ca.

(continua)

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