Cap. 63. Un viaje al Uruguay – a bordo de um fusca

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atualizado 9 agosto 2015 Deixar comentário
O epicentro da ciudad de Mariscala

por Re Nato, colaboração de Aléxis Góis

“Um brasileiro em Mariscala!” No ato, eu pensei. Eu não disse? Na verdade, eu disse. As palavras saíram mascadas de minha boca. A pronúncia saiu meio baixo, mas o suficiente para que o sujeito de chapéu de vaqueiro pudesse ouvir. “No, yo no soy brasileño”. Você tá de brincadeira? Pensei em replicar… Eu disse mesmo, emendando uma fala em seguida: “… mas com esta pronúncia cristalina?” O rapaz riu. Riu mudo, o xarope. “Su nombre?” Destilei um falso pedantismo. Pensei em acrescentar um “Vive aquí?”. Preferi não avançar, vai que o sujeito prossegue a fundo com o idioma nativo, e eu me lasco. “Mi nombre?” No Brasil, esta sua resposta-pergunta se chama retórica. “Tô ligado!”, ele se saiu com esta. Tá ligado, e como está! “Sí”, insisti, “su nombre, a-mi-go.” O rapaz de chapéu de vaqueiro uruguaio continuava sentado, após um breve cumprimento de mão. Aliás, no exato momento em que eu fui repetir a pergunta, no instante em que eu mirei seu semblante, ele ficou em pé. “Mi nombre es…”. “Sí…”. “Me chamo Jose Mochila, muito prazer”. Jose… Mochila? Se eu compreendi direito. “Sí, Jo-se Mo-chi-la…”. Nombre diferente, rapaz! “Pero puedes me chamar de Mochila, sólo”. Meio que incomodado em continuar com seu espanhol, o amigo acrescentou: “Mochila. Me chame apenas de Mochila, ok”. Oh, sí. Sem muita ação pelo inesperado, olhei de lado. Avistei Julinho travando uma conversa, quem diria? com uma chica. No creo! Don Julito em ação? Súbito, apertei bem os olhos fechados, agucei a vista, e realmente vi Julinho do outro lado da praça, num intercâmbio com uma uruguaia. Caramba, se vi el condutor alisando os cabelos da garota naquele instante, tipo um gesto adolescente de quem troca olhares afetuosos? Quanta novidade num só momento – deixei escapar em voz alta. “Quanta o quê…?”. Mochila pensou que pudesse ser com ele. “Nada, não, compañero”. O que faz na cidade? A pergunta foi dita mutuamente. Mochila me disse que nasceu em Mariscala. Quanto a mim, os caronistas de plantão bem sabem de nossa Aventura no Cone Sul. Mochila, vocês não vão acreditar. Não é que o rapaz não se disse surpreso com a nossa viagem? E mais: ele afirmou categoricamente que é mesmo uruguaio, apesar do português fluente. Mochila revelou que não sai do Brasil, que sempre está, segundo ele, na terra do “eterno vice-campeão da Copa de 1950”.

(continua)

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