‘No Brasil, a esquina à esquerda’

voltar
atualizado 11 novembro 2014 Deixar comentário

por Luiz Augusto Rocha

Desde 2009, eu moro em Rondônia e, dentro do estado, no município de São Francisco do Guaporé, fronteira com a Bolívia. Sou paulista interiorano e de interior em interior fui pulando desde que nasci. De Andradina (SP) para Dourados (MS), de Dourados para Andradina, de Andradina para Bauru (SP), de Bauru para São Francisco do Guaporé, de São Francisco para Ji-Paraná (RO) e há um ano e meio de volta à beira do rio fronteiriço.

Um clichê no rol de clichês da vida: foi um choque sair de Bauru com seus encantos universitários para cair na crua realidade de trabalhador no interior da Amazônia, nesta esquina do Brasil, a esquina canhota do país.

Cinco anos se passaram e tenho reforçada a ideia de que meu caminho é A Esquerda, a esquerda do país, a esquerda de Rondônia, oferecendo visibilidade para as gentes que cá se estabeleceram e fazendo-as ouvidas: suas histórias, trajetórias, memórias.

Quando eu me deparei com tantos assassinatos, com tanta pobreza, com tantas crianças fugindo de casa para casar com outras crianças, com tanta violência e brutalidade, com tanta politicagem e com tanta religiosidade forçada, quase pensei que não deveria estar aqui.

Mas, se meu caminho é à esquerda e estou dentro de uma realidade que grita por quem lute diuturnamente contra tudo o que vi e enumerei no parágrafo acima, meu lugar só pode ser aqui.

Enfim, depois de toda essa conversa, só quero dizer que, a convite de Jose Mochila, pretendo relatar algumas impressões de experiências vividas neste canto do país, nesta esquina localizada no lado esquerdo do mapa do Brasil, neste espaço que escolhi chamar de “No Brasil, a esquina à esquerda”.

Abraços, Luiz Augusto Rocha

Leave a Reply