A suficiência de deus

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por Daniel Baz dos Santos

Não quero comer animais.
Saio pela rua e as sombras
ambicionam meu silêncio,
meu crepúsculo colorido,
minha névoa empoeirada.
Não quero comer animais.

Ando pela praia,
farelos de pão nos cabelos,
quero temê-los, aos homens
que buscam o sossego
armados de desculpas.

Não sou eterno, mas posso ser salvo
em ambas as pontas da espada.

Os peixes são tão humildes
que não podem se sacrificar.
Quero comê-los crus.
Abandonar em seu lago dormente
minha lua vazia.
Nada se promete a um peixe.
Exceto a fome, rugindo entre os dentes,
um golpe de panos na pasta dos olhos.

Não quero comer animais.
Entro no carro. Alguém me rouba.
Deus sofrerá em outra gruta.
Em qualquer escassa tinta,
minha fome se enredará aos pássaros.

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