A realidade é real?

voltar
Deixar comentário

por Nadson Vinícius dos Santos

 

Eu sou estas geografias que se deslocam,

Eu sou estes espaços que se cruzam

Eu sou estas línguas que dialogam (Wesley Correa)

 

Parece ironia, mas justo quando o assunto da crônica é “imagem” o texto não contém a foto de costume. A imagem a que me refiro é a gerada pela TV. Aquela criadora de mundos que, na maioria das vezes, encurrala as pessoas; as impede de se perguntarem se as coisas são realmente como as imagens dizem ser. Me pergunto qual seria o objetivo da grande mídia quando se comporta desta maneira. Às vezes me deixo levar por fábulas conspiratórias e chego a acreditar que existem pessoas desejosas de fechar o diálogo entre as culturas e sugerir uma imagem em grande parte falsa na mente das pessoas.

Mas para que o texto não se torne um manifesto contra a TV, longe de mim pretender tal coisa,  vou direto ao ponto: me queixo da grande mídia televisiva brasileira em relação às versões do Brasil que eles criam e vendem para divertir o europeu ingênuo. Um dos programas mais vistos aqui em Lisboa é daqueles sensacionalistas conhecidos pela expressão “se espremer sai sangue”, com aquele carinha que bate na mesa, fala de forma histérica e acusa o governo de tudo.

Me pergunto para quê serve um programa deste no exterior? Para reforçar o estereótipo e dele tirar dinheiro, só isso! Por isso me chamava à atenção o medo que alguns portugueses, conhecedores do Brasil apenas por televisão, sentiam do país. Que o Brasil apresenta índices altos de violência não vamos discutir, mas também cultivar somente esta imagem do páis não acho saudável.

Outra vez vi uma reportagem sobre um jacaré que apareceu em uma piscina de uma casa luxuosa. Me respondam, pelo amor de Deus, para quê dar fomento internacional a uma reportagem desta? Para discutir a questão da agressão impune contra o meio ambiente cometida pelos mais ricos? tenho outra hipótese: seria mostrar para o mundo que o Brasil é tão exótico que jacarés, onças-pintadas e jabutis dividem espaços com os carros e as pessoas.

Um limite ético, por favor, uma forma menos corrompida pelo dinheiro no jornalismo brasileiro, em específico, que vendo na parte rentável da notícia o único padrão moral, cria imagens completamente torpes do país, dificultando o trabalho das pessoas comuns que tentam cotidianamente mostrar pelos gestos e discursos que os brasileiros não são delinquentes nem o país  se parece  com uma cena do filme “Ace ventura: um maluco na selva”.

Leave a Reply